Asma: Netos de fumadoras correm mais riscos

Tabagismo afecta segunda geração

19 abril 2005
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O risco de desenvolver asma infantil em crianças cujas avós fumaram durante a gravidez das suas mães é duas vezes maior do que o de crianças sem esse antecedente, segundo um estudo publicado pela revista médica Chest, na Califórnia, nos Estados Unidos.
 

 

O estudo foi realizado por investigadores da Escola Keck de Medicina da Universidade do Sul da Califórnia e sugere que os efeitos prejudiciais do tabaco nos pulmões podem chegar a duas gerações posteriores, isto é, das avós aos netos, embora a mãe destes não seja afectada.
 

 

«Este é o primeiro estudo que mostra que se uma mulher fumar enquanto estiver grávida, tanto os seus filhos como os seus netos têm mais probabilidades de sofrer asma», disse o director do estudo, Frank Gilliland, professor de medicina preventiva em Keck.
 

 

Os investigadores de Keck entrevistaram parentes ou tutores de 908 crianças do sul da Califórnia que participaram num estudo de saúde infantil, o qual incluiu crianças e adolescentes com menos de 16 anos. Dos participantes, 338 tinham sofrido asma antes dos cinco anos de idade e outros 570 não sofriam da doença.
 

 

De acordo com os Institutos Nacionais de Saúde, nos EUA, 17 milhões de pessoas, 6,5 por cento da população, sofre de asma. Desses, cinco milhões são crianças. A asma afecta mais os negros (5,8%) do que os brancos (5,1%). E a cada ano morre nos EUA cerca de cinco mil pessoas em consequência da asma. As mortes por essa doença são pouco frequentes, mas aumentaram significativamente durante as últimas duas décadas: entre 1975 e 1979 o índice de mortes foi de 8,2 em 100 mil pessoas.
 

 

No período 1993-1995 (o mais recente nos dados dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA), a taxa foi de 17,9 por cada 100 mil.
 

 

O estudo realizado em Keck indica que as crianças, cujas mães fumaram durante a gestação, tinham 1,5 mais probabilidade de desenvolver asma nos primeiros anos de vida do que as crianças cujas mães não fumaram durante a gravidez. As crianças cujas avós fumaram durante a gravidez tinham 2,1 mais probabilidades de desenvolver asma. «Suspeitamos que quando uma mulher grávida fuma, o tabaco pode afectar o X do feto e, se for uma rapariga, também afectará as suas futuras células reprodutivas», disse Gilliland.
 

 

«Por enquanto, só podemos conjecturar que ocorre o seguinte: o dano afecta o sistema de imunidade da criança e aumenta a sua susceptibilidade para a asma, o que depois passa para os seus filhos», acrescentou.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

Jornalista
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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