Asma: descoberta potencial via de tratamento

Estudo publicado na revista “Nature Communications”

09 fevereiro 2017
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Investigadores americanos isolaram uma proteína que, quando está depletada, pode causar constrição das vias aéreas, produção de muco, aperto no peito e dificuldades respiratórias nos indivíduos com asma, dá conta um estudo publicado na revista “Nature Communications”.
 
No estudo, os investigadores da Carolina do Norte, nos EUA, focaram-se inicialmente na fibrose quística e na doença pulmonar obstrutiva crónica. Contudo, após terem identificado a proteína SPLUNC no âmbito da investigação fibrose quística, os investigadores decidiram averiguar se esta proteína poderia desempenhar um papel importante na asma.
 
Os investigadores, liderados por Robert Tarran, começaram por medir os níveis da SPLUNC1 em pacientes asmáticos e saudáveis. Verificou-se, para surpresa dos cientistas, que os níveis de SPLUNC1 estavam bastante reduzidos nos pacientes com asma.
 
Através da utilização de modelos de ratinhos para asma, os investigadores constataram que os níveis de SPLUNC1 estavam depletados nas vias aéreas, o que se assemelhava aos achados obtidos nos seres humanos com asma. Por outro lado, verificou-se que a reposição dos níveis de SPLUNC1 reverteu a hipersensibilidade das vias aéreas, uma das características da asma. 
 
O estudo apurou que a SPLUNC1 poderia regular a contração do músculo liso das vias aéreas, impedindo a entrada de cálcio nas células do músculo liso. Estes achados podem assim explicar como a deficiência desta proteína pode conduzir à hipersensibilidade das vias aéreas.
 
As células epiteliais encontradas nas vias aéreas produzem a proteína SPLUNC1. Os cientistas verificaram que esta proteína, que é inativa na presença de inflamação excessiva, é necessária para que o músculo relaxe. Robert Tarran explica que esta proteína funciona como um travão.
 
Na opinião dos investigadores o restabelecimento total ou parcial da proteína, através de um nebulizador ou inalador, pode funcionar como um potencial tratamento da asma. 
 
No estudo, os investigadores também identificaram a estrutura cristalina da SPLUNC1. Através desta informação os cientistas podem encontrar o local ativo da proteína que regula a contração do músculo liso e produzir peptídeos ou fármacos direcionados.
 
Stephen Tilley, um dos autores do estudo, que tem vindo a investigar a asma ao longo dos últimos 20 anos, conclui que o potencial da SPLUNC1 em reverter a hipersensibilidade das vias a aéreas foi a descoberta mais entusiasmante na qual se envolveu.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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