Asma associada a bactérias que habitam o tracto respiratório

Estudo publicado no “Journal of Allergy and Clinical Immunology”

23 março 2011
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A asma pode ter uma surpreendente relação com a composição do grupode espécies de bactérias que vive nas vias aéreas dos brônquios, uma descoberta da qual pode sugerir um novo tratamento, inclusive uma potencial cura, de acordo com um estudo realizado pela Universidade de Califórnia, nos EUA, publicado na edição online do “Journal of Allergy and Clinical Immunology”.

 

Usando novos métodos de detecção, os investigadores descobriram que a diversidade de micróbios que habitam o tracto respiratório é muito maior do que se suspeitava anteriormente, dado tratar-se de uma comunidade microbiana complexa e inter-relacionada que parece estar associada à asma, semelhante à que tem sido encontrada na doença inflamatória intestinal, vaginite, periodontite e, possivelmente, até mesmo na obesidade.

 

Contrariamente à crença popular, os cientistas também viram que as vias aéreas não são necessariamente ambientes completamente estéreis, mesmo em pessoas saudáveis. As vias aéreas dos asmáticos estão infectadas por um conjunto mais complexo e rico de bactérias. Estas descobertas podem melhorar o entendimento da biologia da asma e, potencialmente, levar a terapias novas e melhoradas.

 

Durante os três anos que durou este projecto-piloto, os cientistas recolheram amostras da mucosa das vias respiratórias de 65 adultos com asma ligeira a moderada e de 10 indivíduos saudáveis. Em seguida, usando uma ferramenta capaz de identificar cerca de 8.500 grupos estirpes diferentes de bactérias num único teste, desenvolveram perfis dos organismos em cada amostra para encontrar relações entre a comunidade de bactérias e as características clínicas dos pacientes com asma.

 

Verificaram que as amostras das vias aéreas brônquicas dos pacientes asmáticos continham mais bactérias do que as amostras de pacientes saudáveis. Também encontraram uma maior diversidade de bactérias nos pacientes asmáticos com vias aéreas mais sensíveis (uma característica da asma).

 

Segundo o co-autor do estudo, Homer Boushey, "as pessoas pensam que a asma é causada pela inalação de alergénios, mas este estudo mostra que pode ser mais complicado do que isso".

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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