As músicas que não nos saem da cabeça...

Cientistas explicam o verme do ouvido

26 novembro 2003
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Ouviu uma música na rádio, que por acaso até nem gosta, mas o som não lhe sai da cabeça... Pois... Quase todas as pessoas já experimentaram esta estranha sensação, mas, agora, um grupo de cientistas norte-americano vem dar algumas pistas sobre o assunto.
 

 

Os investigadores descobriram que algumas músicas não saem da nossa cabeça porque criam uma espécie de «comichão no cérebro», que só pode ser aliviada se o som for cantarolado muitas vezes.
 

 

Na Alemanha, esse tipo de música é conhecida como «ohrwurm» («verme do ouvido») e, tipicamente, tem uma melodia optimista, com letra repetitiva, que fica entre o atraente e o irritante.
 

 

Músicas como Y.M.C.A., do Village People e Macarena, de Los Del Rio, devem o seu sucesso à capacidade que têm de criar uma «comichão cognitiva», segundo o professor James Kellaris, da Escola de Administração e Negócios da Universidade de Cincinnati.
 

 

«Uma comichão cognitiva é um tipo de metáfora que explica como essas músicas ficam na nossa cabeça», disse o professor Kellaris ao programa Outlook, do Serviço Mundial da BBC.
 

Algumas músicas têm propriedades análogas às de uma histamina que leva à tal comichão no cérebro, segundo o especialista. «E a única maneira de a aliviar é repetir a música na nossa cabeça», explicou.
 

 

O professor Kellaris apresentou os resultados preliminares do seu estudo numa conferência sobre psicologia do consumo. Segundo o especialista, virtualmente todas as pessoas sofrem de comichão cognitiva em determinados momentos. Os estudos afirmam que entre 97 a 99 por cento das pessoas são susceptíveis aos «vermes do ouvido» em algum momento da vida.
 

 

«Mas certamente algumas pessoas são mais susceptíveis que outras. As mulheres, por exemplo, tendem a ser mais susceptíveis que os homens. E os músicos também são mais susceptíveis que os não são músicos».
 

 

O estudo é de grande interesse para a indústria pop - de olho no aumento de vendas - e para os anunciantes, que usam Jingles para assegurar que as marcas fiquem na cabeça dos ouvintes.
 

 

Segundo Chris Smith, criador de Jingles, um bom «verme do ouvido» é «insidioso e frequentemente primitivo». E um dos elementos-chave é a repetição, dado que um conteúdo muito variado não é assimilado facilmente. «Para objectivos práticos, um verme do ouvido é realmente alguma coisa que as pessoas podem captar rapidamente e reproduzir enquanto estão a caminhar na rua, para a infelicidade de muita gente», explicou o especialista à BBC.
 

 

Até mesmo os grandes músicos sofreram deste «problema». Mozart ficava «enfurecido» quando os filhos não completavam melodias e escalas executadas ao piano. «Ele descia as escadas a correr e completava a escala, porque não podia suportar ouvir uma escala incompleta», contou Smith.
 

 

Para tristeza de quem queira o segredo da fórmula, o professor Kellaris disse que o seu estudo mostrou não existir, no entanto, um padrão para criar o tal verme. Tudo porque, explica, as pessoas reagem de forma diferente a diferentes canções.
 

 

Segundo o cientista, também não há qualquer meio garantido de tirar a música da nossa cabeça. «Estratégias de substituição raramente funcionam, porque enquanto procuramos na memória uma canção substituta, provavelmente vamos encontrar outro verme do ouvido», reconheceu. «Algumas pessoas defendem estratégias de conclusão. Se ouvir uma música integralmente, algumas vezes isso leva a que saia da sua cabeça.»
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

Jornalista
 

MNI-Médicos Na Internet
 

 

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