As mil e uma camuflagens da gripe

Computador determina evolução do vírus

16 setembro 2003
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É um verdadeiro camaleão. Mestre em disfarces, o vírus da gripe surge todos os anos quando o inverno se aproxima. Mas, todos os anos se veste de uma forma diferente, ou seja, possui uma nova fisionomia, irreconhecível para as defesas do organismo. Essa metamorfose contínua permite-lhe um ataque, sem sofrer resistência.
 

 

Para tentar perceber melhor o misterioso vírus, cientistas britânicos parecem ter descoberto uma forma de antecipar o ataque. Tal como se faz para os criminosos foragidos, os cientistas criaram um modelo por computador capaz de efectuar um retrato da próxima máscara do vírus.
 

 

Com base em modelos matemáticos complexos em computador, a equipa de Neil Ferguson, da Faculdade de Medicina do Imperial College de Londres, conseguiu reproduzir o padrão de formação de novas linhagens do vírus da gripe, de forma semelhante à que acontece na vida real.
 

 

Simulando um pedaço do genoma dos vírus que contém a receita para a hemoaglutinina, uma das moléculas que o organismo reconhece (ou não) para iniciar a batalha contra a gripe, observaram-no, então, através do computador- o que ocorria com as linhagens ao longo do tempo e quais versões do gene que prevaleciam sobre as outras.
 

 

Como resultado, obtiveram árvores genealógicas de várias estirpes do vírus. Perceberam também que, se introduzissem algum factor que simulasse a reacção imunológica humana a algumas das estirpes, obtinham gráficos muito parecidos com os que foram criados com base na evolução do vírus da gripe nos últimos anos.
 

 

Ou seja, conseguiram reproduzir em computador o padrão genético de evolução do vírus. No momento, o trabalho tem maior utilidade como estudo básico, ajudando a entender qual é a sintonia existente nos processos que levam à evolução. Mas a possibilidade de levar o estudo para o âmbito prático e epidemiológico também é possível.
 

 

É verdade que, salvo pneumonias misteriosas como a atípica que tem afectado maioritariamente a população asiática, grande parte da população pode enfrentar uma gripe sem grandes problemas. Mas também é verdade que as mesmas características que fazem da gripe um vírus difícil de vacinar também beneficiam agentes mais letais, como o responsável pela Sida.
 

 

Paula Pedro Martins
 

Jornalista
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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