As máquinas de lavar loiça e as alergias infantis

Estudo publicado na revista “Pediatrics”

09 março 2015
  |  Partilhar:
O uso de máquinas de lavar loiça poderá aumentar o risco de desenvolvimento de alergias em crianças em comparação com as famílias que lavam a loiça à mão, atesta um estudo sueco. 
 
O estudo, que foi observacional e conduzido por alergologistas do Departamento de Pediatria da Universidade de Gotemburgo, contou com a participação dos pais de 1.029 crianças com 7 e 8 anos de idade. Os participantes residiam em duas regiões da Suécia.
 
Os investigadores recolheram informações junto dos pais relativamente às alergias dos seus filhos, bem como casos de asma e eczema nas crianças, o método de lavar a loiça nos lares e a frequência de consumo de alimentos fermentados e oriundos diretamente de uma exploração agrícola.
 
Como resultado, apurou-se que as crianças cujas famílias lavavam a loiça à mão apresentavam menos alergias do que aquelas que viviam em casas onde se lavava a loiça na máquina. Adicionalmente, as crianças de casas onde se lavavam os pratos à mão apresentavam índices de casos de eczema significativamente inferiores e índices de asma e febre dos fenos um pouco menores do que as crianças em cujos lares se utilizava máquina de lavar a loiça.
 
Mais, as crianças que consumiam alimentos fermentados e oriundos diretamente do produtor apresentavam índices menores de alergias em comparação com as que não consumiam aqueles tipos de alimentos.
 
As crianças que exibiam os índices mais baixos de alergias eram aquelas cujos pais lavavam a loiça à mão e as que consumiam muitos alimentos oriundos diretamente do produtor.
 
Os resultados são preliminares e são necessários mais estudos para explicar a influência do uso de máquinas de lavar, da exposição das crianças a micróbios e das escolhas em termos de estilo de vida sobre o risco do desenvolvimento de alergias e doenças relacionadas.  
 
Estudos anteriores tinham demonstrado que as máquinas de lavar loiça são muito mais eficazes na exterminação de bactérias do que a lavagem da loiça à mão, o que significa uma exposição acrescida a um maior leque de bactérias pelas famílias que comem a partir de loiça lavada à mão.
 
A hipótese higienista, originariamente proposta por David Strachan, defende que as crianças nos países desenvolvidos crescem num mundo demasiado higienizado em que os detergentes e uma relativamente baixa exposição a animais não permite que o nosso sistema imunitário se familiarize e forme imunidade contra bactérias comuns. Consequentemente, sugere a teoria, o sistema imunitário falha quando se depara com microrganismos, conduzindo a alergias, eczema e asma.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.