As dores lombares podem ser apenas um engano da mente?

Estudo publicado na “Scientific Reports”

06 setembro 2017
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A rigidez nas costas só existe na nossa mente? Os resultados de um estudo de uma investigadora da Universidade de South Australia, na Austrália, mostram – pela primeira vez – que a sensação de rigidez nas costas pode ser apenas um mecanismo puramente de proteção para evitar mais lesões. 
 
Um artigo de Tasha Stanton, investigadora na Escola de Ciências da Saúde da Universidade de South Australia, apresenta provas de que a sensação de rigidez nas costas não tem qualquer ligação com o estado real das articulações e que ela pode ser atenuada por certos sons
 
Esta investigadora em neurociência da dor aplicada à prática clínica realizou uma série de experiências com base nos relatos de amputados de rigidez em articulações que já não tinham. 
 
Foi aplicada pressão na coluna de 15 pessoas com dor lombar crónica, ao mesmo tempo que se fazia ouvir diferentes sons. Outro grupo de controlo composto por 15 indivíduos saudáveis, sem problemas de costas, foi também testado. 
 
“Sabemos que milhões de pessoas em todo o mundo têm dores lombares crónicas, mas a sensação de rigidez pode não refletir de facto o quanto as suas costas estão mal” afirma Tasha Stanton. 
 
“Em teoria, as pessoas que sentem as costas rígidas deveriam ter uma coluna mais rígida do que aquelas que não têm essa sensação. Descobrimos que não é isso que acontece na verdade. Em vez disso, descobrimos que o quanto elas protegem as costas é um melhor indicador do quanto elas sentem as suas costas rígidas”. 
 
“As pessoas com dores de costas crónicas e rigidez sobrestimavam a quantidade de força que estava a ser aplicada às suas costas – elas eram mais protetoras das suas costas. O quanto elas sobrestimavam essa força estava relacionado com o quanto elas sentiam as suas costas rígidas – quanto mais rígidas elas sentissem as costas, mais sobrestimavam a força. Isto sugere que a rigidez é uma resposta de proteção, muito provavelmente para evitar o movimento”. 
 
“Em segundo lugar, descobrimos que estas sensações podem ser atenuadas usando sons diferentes. A sensação de rigidez era pior com o som de uma porta a ranger e melhor com sussurros suaves. Isto levanta a hipótese de clinicamente podermos tornar a rigidez um alvo sem termos de nos focar nas articulações, mas usando outros sentidos”, afirmou ela. 
 
Esta descoberta traz uma nova esperança para os 632 milhões de pessoas em todo o mundo que sofrem de dores lombares (aproximadamente 10% da população global) e não encontram alívio para essas dores. 
 
“O cérebro usa informações de muitas fontes, incluindo som, toque e visão, para criar sensações como a rigidez”, diz a investigadora. “Se pudermos manipular essas fontes de informação, potencialmente poderemos também desenvolver a capacidade de manipular a rigidez. Isso abrirá a porta a novas possibilidades de tratamento, o que é verdadeiramente empolgante”. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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