As doenças terminais e as estatinas

Estudo apresentado no 50º Encontro Anual da American Society for Clinical Oncology

12 junho 2014
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A descontinuação da toma de estatinas nos doentes em estado terminal poderá aumentar a sua esperança de vida, são as conclusões de um estudo recente.

 

Conduzido por uma equipa da Universidade do Colorado e pelo Palliative Care Research Cooperative Group, EUA, o estudo procurou determinar a altura em que seria benéfico para os pacientes com doenças terminais descontinuarem a toma de medicamentos para outros problemas como a osteoporose, diabetes e hipertensão, sem causar a morte dos mesmos. É o caso das estatinas, que são fármacos indicados para baixar os níveis de colesterol no sangue.

 

Para o estudo, a equipa contou com a participação de 381 pacientes, cuja esperança de vida era inferior a um ano. Todos os participantes estavam a tomar estatinas há pelo menos 3 meses. Os participantes foram aleatoriamente divididos em dois grupos, tendo um dos grupos continuado a tomar estatinas, enquanto o outro grupo foi aconselhado a interromper a sua toma.

 

Os participantes foram seguidos por um período de até 1 ano, tendo sido monitorizados em termos de sobrevivência, eventos cardiovasculares e alterações na qualidade de vida. Foi observado que no grupo das estatinas a mediana de sobrevivência dos participantes foi de 190 dias, ao passo que no grupo que descontinuou o fármaco, a mediana de vida ascendeu aos 229 dias.

 

Foi igualmente determinado que os pacientes do grupo que tinha deixado de tomar a estatinas tinham demonstrado uma melhor qualidade de vida, incluindo bem-estar psicológico e menos encargos financeiros (por não terem que adquirir o fármaco) do que os que tinham continuado a tomar o fármaco.

 

Jean Kutner, da Universidadedo Colorado comenta, sobre os fármacos para doenças como diabetes e hipertensão, que: “essas são coisas que as pessoas tomam para prevenir algo ou tratar uma doença crónica. Mas particularmente na população com cancro avançado poder-se-á não obter os benefícios pretendidos”.

 

A clínica considera, portanto que os doentes com uma esperança de vida inferior a um ano e que estão a tomar medicação de prevenção deveriam considerar a hipótese, juntamente com os seus médicos, de descontinuarem a toma das estatinas.

 

A docente acha que os médicos estão “concentrados em que medicamentos são eficazes para começar a tomar, mas não existem estudos sobre o facto de se deixar ou de quando se deixar de os tomar. Isto é uma nova linha de investigação. Achamos que existem muitas situações em que os fármacos preventivos poderão prejudicar mais do que beneficiar, especialmente no contexto dos cuidados de fim-de-vida”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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