As células de melanoma deixam um trilho químico no meio que as envolve

Este trilho químico aumenta a potencialidade cancerígena de outras células menos agressivas

02 setembro 2001
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Um grupo de investigadores da Universidade de Iowa (EUA) fez um estudo sobre o impacto das células de melanoma (cancro da pele) sobre o ambiente tecidular e descobriram que as células tumorais deixam um rasto no seu ambiente que afecta a dispersão do cancro. Este rastro permanece mesmo depois da remoção das células e aumenta o “poder cancerígeno” de outras células que o contactem.
 

 

O ambiente que, nos tecidos, envolve as células designa-se por matriz extracelular. Esta matriz nada mais é do que uma solução aquosa de moléculas que desempenham papeis importantes no funcionamento dos tecidos.
 

 

Esta pesquisa revelou que a interacção da matriz extracelular com células de melanoma altamente agressivas é diferente da interacção que se verifica com células menos agressivas. Estas diferenças podem ter implicações importantes no diagnóstico e no tratamento de melanoma, assim como de outros tipos agressivos de cancro.
 

 

Os investigadores descobriram que as células agressivas de melanoma deixam um rasto molecular à medida que interagem com a matriz extracelular. Este trilho molecular contém informações que podem permanecer na matriz muito depois das células agressivas terem sido removidas e aumentarem a agressividade de outras células com menos potencialidades cancerígenas.
 

 

Richard Seftor, um dos investigadores envolvidos neste trabalho, afirmou: “Nós descobrimos que as células agressivas de melanoma alteram o ambiente químico envolvente aumentando, desta forma, a potencialidade cancerígena de outras células.
 

 

O ambiente extracelular é remodelado pelas células através da supressão e re-edificação da sua estrutura físico-química. São os processos de supressão e re-edificação da matriz extracelular que estão envolvidos na cicatrização, na resposta inflamatória e na expansão de matástases pelo organismo. Nestes processos estão envolvidas dois tipos de proteínas: as lamininas e as metaloproteínas.
 

 

Esta equipa, liderada por Mary Hendrix, descobriu que as células tumorais agressivas produzem estes dois tipos de proteínas que reagem entre si produzindo um trilho químico de fragmentos de lamininas na matriz extracelular. Estes fragmentos de laminina conferem às células cancerígenas capacidades para se expandirem pelo corpo ao imitarem outras células que se encontram normalmente nos vasos sanguíneos.
 

 

Durante a pesquisa, os investigadores envolvidos conseguiram bloquear os processos de supressão e re-edificação da matriz extracelular induzidos pelas células tumorais do que resultou que estas células não foram capazes de adquirir as capacidades de mimetização celular.
 

 

M. Hendrix defende que com estes novos conhecimentos será possível modificar a matriz extracelular de modo a evitar a expansão e proliferação de células cancerígenas no organismo.
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos na Internet
 

 

Fonte: BBC

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