As células cancerígenas morrem com demasiada abundância de “alimento”?

Estudo publicado na revista “Cell Metabolism”

27 junho 2018
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Uma equipa de cientistas encontra-se a investigar a possibilidade de exterminarem as células cancerígenas com espécies reativas de oxigénio (ROS, na sua sigla em inglês).
 
As ROS são substâncias produzidas naturalmente, a nível celular, na sequência do processo de metabolismo do oxigénio. As ROS são muito importantes na regulação da função biológica, conhecida como homeostasia, assim como na sinalização celular. 
 
No entanto, se atingirem níveis anormais, as ROS poderão provocar stress oxidativo, o que nas células saudáveis causa deterioração e eventualmente a morte. As células cancerígenas, por outro lado, requerem níveis muito mais elevados de ROS do que as células saudáveis, o que funciona em benefício do cancro, permitindo que se desenvolva e espalhe.
 
Gang Zhou e colegas, da Faculdade de Medicina da Universidade de Augusta, EUA, propuseram-se descobrir se as células cancerígenas morreriam na presença de demasiadas ROS.
 
Para a sua investigação, a equipa usou um tipo de tratamento sobre ratinhos com cancro colorretal, conhecido como terapia adotiva com células T, para obterem um aumento de ROS em tumores cancerígenos. A terapia adotiva com células T consiste num tipo de imunoterapia em que as células T são usadas para atuarem e destruírem as células tumorais.
 
A equipa começou por administrar um tipo de quimioterapia aos ratinhos, que suporta a ação das células T, sendo depois submetidos à imunoterapia. Como resultado, verificou-se uma acumulação excessiva de ROS, com níveis demasiado elevados nas células cancerígenas.
 
As células T estimularam igualmente a produção de citocinas que são proteínas especializadas com efeito pro-inflamatório e que incluem o fator de necrose tumoral alfa, o qual contribui para a morte celular e progressão tumoral.
 
Os autores consideram que este estudo demonstra que “o fator de necrose tumoral alfa pode atuar diretamente sobre as células tumorais e induzir a ROS dentro das mesmas”. A equipa admite que a morte celular poderá ter ocorrido devido à ação do fator de necrose tumoral alfa pois esta citocina impede o fluxo sanguíneo para o tumor, afetando o seu desenvolvimento.
 
As alterações metabólicas induzidas pela terapia adotiva com células T produziram uma regressão tumoral completa em quase todos os ratinhos que receberam o tratamento.
 
Finalmente, a equipa explicou ainda que as células T e as células cancerígenas competem por recursos energéticos, sendo que se prejudicam umas às outras. As células T muitas vezes ficam sem nutrientes, deixando as cancerígenas em vantagem.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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