Artrite reumatoide: tabaco e excesso de peso dificultam eficácia do tratamento

Estudo do Hospital para a Cirurgia Especial

21 novembro 2016
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O tabaco ou a obesidade dificultam os efeitos do tratamento no controlo da inflamação e nos sintomas dos pacientes com artrite reumatoide, sugere um estudo apresentado no encontro anual do Colégio de Reumatologia Americano/ Associação de Profissionais de Saúde de Reumatologia. 
 
Os investigadores do Hospital para a Cirurgia Especial, nos EUA, já tinham constatado que os pacientes com excesso de peso tinham menos probabilidade de conseguir uma remissão sustentada da doença nos três primeiros anos após o diagnóstico. 
 
Neste estudo, os cientistas decidiram avaliar o impacto do tabagismo e do excesso peso ou obesidade na capacidade de atingir um bom controlo dos sintomas e inflamação nos pacientes com artrite reumatoide. 
 
Os investigadores recolheram dados de 19 locais no Canadá, que incluíam pacientes com artrite reumatoide em que os sintomas tinham iniciado há 12 meses. Foi analisada a pontuação da atividade da doença do paciente, conhecida como DAS, no início do estudo e nas visitas de acompanhamento. O DAS é baseado no número de articulações inchadas e sensíveis, uma análise ao sangue que reflete a inflamação, e a própria descrição do paciente dos sintomas de artrite na semana anterior.
 
Os pacientes foram observados pelo reumatologista como parte dos seus cuidados habituais de acompanhamento a cada três meses no primeiro ano, a cada seis meses no segundo ano e, posteriormente, anualmente. Os investigadores analisaram como o sexo, o excesso de peso e o tabagismo (atual / anterior / nunca) afetaram os sintomas no início e ao longo do estudo.
 
O estudo incluiu 1.109 pacientes com idade média de 54 anos no início do estudo. Quase todos estavam a ser tratados com metotrexato e/ou outra medicação oral convencional. A maioria dos participantes era do sexo feminino. Entre as mulheres, 31% tinha excesso de peso, 32% eram obesas e 15% fumavam. Relativamente aos homens, 44% tinha excesso de peso, 35% eram obesos e 22% fumavam atualmente.
 
Os investigadores constataram que o sexo dos pacientes, o excesso de peso e tabagismo não estavam significativamente associados à gravidade dos sintomas no início do estudo. No entanto, os três fatores influenciaram a melhoria dos sintomas ao longo do tempo.
 
A taxa média de melhoria na pontuação da atividade da doença foi menor nas mulheres do que nos homens. Foram observadas menos melhorias nos pacientes com excesso de peso ou obesidade, comparativamente com aqueles com um peso saudável. Os fumadores também apresentaram, ao longo do tempo, menos melhorias nos sintomas, comparativamente com os não-fumadores. 
 
No entanto, os ex-fumadores obtiveram melhorias semelhantes aos não fumadores. As diferenças mais dramáticas nos sintomas foram observadas nos pacientes com excesso de peso ou obesos e fumadores. Estes pacientes tiveram resultados consideravelmente piores ao longo do tempo, comparativamente com os não fumadores com um peso saudável.
 
Vivian Bykerk, a líder do estudo, concluiu que estes resultados contribuem para a crescente evidência de como o estilo de vida afeta a forma como os pacientes podem responder ao tratamento e o potencial benefício de os encaminhar para programas de cessação tabágica e de controlo do peso.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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