Artrite reumatoide: imunoterapia reduz risco cardiovascular

Estudo publicado na revista “Frontiers in CardioVascular Biology”

13 julho 2016
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A imunoterapia reduz o risco cardiovascular nos pacientes com artrite reumatoide, dá conta um estudo publicado na revista “Frontiers in CardioVascular Biology”.
 

A artrite reumatoide é uma doença autoimune na qual as citoquinas, como o fator de necrose tumoral (TNF) e o interferão (IFN), que normalmente protegem o organismo, atacam as células saudáveis. Os pacientes apresentam articulações dolorosas e inflamadas, assim como um elevado risco cardiovascular, caso a doença não esteja controlada.
 

Os investigadores da Universidade Estatal de Medicina de Volgogrado, na Rússia, já tinham demonstrado anteriormente que o tratamento com fármacos dirigidos contra citoquinas diminuía a atividade da artrite reumatoide. Verificou-se que a administração de doses extrabaixas de anti-TNF conduziram à redução de mediadores inflamatórios e citoquinas, como a proteína C-reativa, o fator reumatoide, o TNF, a interleuquina-1 e a interleuquina-6.
 

Neste estudo, os investigadores, liderados por Aida Babaeva, decidiram analisar o impacto da combinação de fármacos nos eventos cardiovasculares, tendo contado com a participação de 68 pacientes com artrite reumatoide ativa há pelo menos cinco anos. Trinta e oito pacientes foram tratados com anti-TNF e anti-IFN conjuntamente com terapia modificadora padrão. Ao longo de três anos do período de acompanhamento, a atividade das doenças e os eventos cardiovasculares foram monitorizados.
 

O estudo apurou que os pacientes que foram tratados com a combinação de anticitoquinas apresentavam uma pontuação mais baixa na atividade da artrite reumatoide e uma diminuição mais marcada dos níveis de IL-1, IL-6 e TNFα, comparativamente com os que foram apenas tratados com a terapia atual.

 

A incidência de eventos cardiovasculares, como a angina instável, crise hipertensiva grave e deterioração da insuficiência cardíaca crónica, foi duas vezes maior no grupo tratado com a terapia convencional, comparativamente com aqueles submetidos à combinação de anticitoquinas.

 

A artrite reumatoide está associada a uma disfunção do revestimento dos vasos sanguíneos que conduz à acumulação de lípidos na parede da artéria, formação de placas e aterosclerose. O aumento da atividade da doença está também associada a um estado pró-coagulante, no qual os pacientes estão mais suscetíveis à formação de coágulos e trombose. Os pacientes com doença ativa apresentam níveis aumentados de moléculas que promovem a inflamação e que estão associadas a um risco aumentado de doença cardiovascular.

 

Nos pacientes com hipertensão, a pressão arterial desejada foi atingida em 71% dos pacientes submetidos ao tratamento com anticitoquinas, comparativamente com os 32% com a terapia habitual.

 

“Isto não significa que os dois fármacos tenham um impacto direto na pressão arterial. Mas a sua combinação pode melhorar a função endotelial e pode ser que a pressão arterial fique mais estável quando a atividade da doença é baixa”, concluiu a investigadora.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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