Artrite: nova estratégia de tratamento descoberta

Estudo publicado na revista “Science Translational Medicine”

01 dezembro 2015
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A cartilagem artrítica, que se pensava que era impenetrável, pode ser tratada pelas microvesículas do próprio paciente que podem se deslocar até às células da cartilagem e administrar agentes terapêuticos, revela um estudo publicado na revista “Science Translational Medicine”.
 
As microvesículas são pequenas estruturas subcelulares que consistem num fluido envolvido por uma membrana. Estas estruturas são libertadas, em grande número, por células para transferir lípidos e proteínas às células alvo. No entanto, o seu papel na doença ainda está pouco claro.
 
Algumas microvesículas dos leucócitos tendem a acumular-se em grandes quantidades nas articulações dos pacientes com artrite reumatóide. O impacto biológico destas microvesículas tem sido um mistério para os investigadores, pois contêm 300 tipos de proteínas que variam em diferentes situações.
 
Há muito que se pensava que a cartilagem era impenetrável às células e a outras estruturas pequenas, o que consequentemente limitava a administração de fármacos. Contudo, neste estudo foi descoberto que as vesículas libertadas pelos leucócitos podem “viajar” até à cartilagem e libertar o seu conteúdo. 
 
De forma a chegarem a estas conclusões, os investigadores analisaram o papel das microvesículas em modelos de ratinho e em células da cartilagem humana.
 
Os ratinhos foram geneticamente modificados para terem uma produção reduzida de vesículas. Os animais apresentavam danos na cartilagem resultante da artrite inflamatória, mas também tinham uma menor degradação da cartilagem quando tratados com microvesículas. As experiências realizadas nas células humanas indicaram que as microvesículas conduziam também à proteção da cartilagem.
 
O estudo apurou ainda que um recetor específico, o FPR2/ALX, desempenhava um papel importante na proteção do tecido da cartilagem e pode, portanto, ser alvo de novas moléculas para o tratamento de doenças erosivas da cartilagem. 
 
“O nosso estudo indica que estas vesículas podem funcionar como uma nova estratégia terapêutica para os pacientes que sofrem de danos na cartilagem devido a várias doenças, incluindo osteoartrite, artrite reumatóide e trauma. O tratamento dos pacientes com as suas próprias vesículas pode apenas necessitar de um dia de internamento, e as vesículas podem ainda ser reforçadas com outros agentes terapêuticos, como por exemplo, ácidos gordos ómega-3 e outras moléculas pequenas”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Mauro Perretti.
 
A utilização do próprio sistema de transporte do organismo para administrar agentes terapêuticos novos e atuais, indica que vamos ser capazes de reduzir os danos nas articulações de uma forma mais eficaz. As articulações saudáveis e intactas resultam em níveis mais baixos de dor e incapacidade, melhorando consequentemente a qualidade de vida das pessoas com artrite”, conclui o diretor médico da “Arthritis Research UK”, Stephen Simpson.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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