Apresentado tratamento inovador para cancro do pâncreas

Encontros da Primavera de Oncologia em Évora

31 março 2014
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Um tratamento inovador do cancro do pâncreas foi apresentado nos Encontros da Primavera de Oncologia em Évora, que decorreram de 27 a 29 de março de 2014. Esta iniciativa, que vai na 10.ª edição, foi organizada pelo Serviço de Oncologia do Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE) e reuniu cerca de mil profissionais de Saúde, noticiou a agência Lusa.
    

O cancro do pâncreas constitui a quinta causa mais comum de mortes por cancro no mundo e é assintomático nos estádios iniciais, progredindo de forma muito rápida. Anualmente, surgem no mundo cerca de 280.000 novos casos de cancro do pâncreas. Em Portugal, estima-se que haja 1.225 novos casos por ano, dos quais 693 são diagnosticados já com o tumor metastizado.
 

Este tipo de cancro é a segunda neoplasia maligna mais frequente do tubo digestivo e provoca a morte a 99% dos doentes. A sobrevivência média das pessoas com doença inoperável ou com metástases é de apenas três a seis meses.
 

Um dos temas em destaque nos Encontros da Primavera de Oncologia é o cancro do pâncreas, tendo sido apresentado um novo tratamento para o carcinoma, aprovado em janeiro pela Autoridade Europeia do Medicamento (EMA).
 

Este é o primeiro tratamento a ser aprovado, em sete anos, para este tipo de cancro e que demonstrou, em estudos clínicos, aumentar a sobrevida do doente através da redução global de 28% no risco de morte. O tratamento conta com um mecanismo de ação inovador dirigido às células do tumor no pâncreas, que otimiza a atuação do fármaco, melhorando o acesso do medicamento às células do tumor.
 

Segundo Ana Castro, médica oncologista do Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, o novo tratamento tem várias mais-valias e está já a ser utilizado em Portugal.
 

A terapêutica “é importante”, segundo a especialista, porque “duplicou o número de doentes vivos aos dois anos” e, pela primeira vez, permitiu “dados de sobrevivência, ou seja, doentes vivos, aos três anos”, explicou à Agência Lusa.
 

“Se olharmos só para os dados da sobrevivência, pois o fármaco aumenta em dois ou três meses a sobrevivência global, parece que não é nada. Mas é um carcinoma com muitos novos doentes diagnosticados por ano e 98% acaba por falecer antes do segundo ano”, salientou.
 

“Com este tratamento, se passamos a ter o dobro dos doentes vivos aos dois anos, e se até temos doentes vivos aos três, essa é a grande mais-valia e inovação”, disse ainda. “O fármaco é dado e, apesar de tudo, o impacto é positivo em termos da qualidade de vida, ou seja, o doente melhora e as toxicidades não são de ordem a que fique pior do que aquilo que estava sem fazer o tratamento”, concluiu.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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