Aprendizagem durante o sono é possível

Estudo publicado na revista “Nature Neuroscience”

29 agosto 2012
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Um novo estudo conduzido pelo Weizmann Institute, em Rehovot, Israel, sugere que é possível apreender nova informação enquanto se dorme, podendo conduzir a uma alteração nos comportamentos no estado de vigília.

 

O professor Noam Sobel e equipa e a aluna de doutoramento Anat Irzi, do departamento de Neurobiologia do Wiezmann Institute, em colaboração com investigadores do Loewenstein Hospital e do Academic College of Tel Aviv – Jaffa, descobriram que a apresentação de certos odores após certos sons durante o sono, levou os participantes no estudo a começarem a cheirar quando ouviam apenas esses sons, durante o sono e, mais tarde, quando acordados.

 

As experiências baseadas na aprendizagem durante o sono são muito difíceis de realizar. É necessário garantir que os sujeitos estão realmente a dormir e continuam nesse estado durante as “aulas”. Os ensaios clínicos mais rigorosos de aprendizagem verbal durante o sono não conseguiram demonstrar que se tivesse efetuado qualquer aprendizagem. Embora os estudos efetuados indiquem cada vez mais que o sono é muito importante para a aprendizagem e consolidação da memória, nenhum tinha demonstrado a aquisição de nova informação por parte do cérebro adulto durante o sono.

 

Os investigadores escolheram o tipo de condicionamento que consiste na apresentação de um som seguido de um odor. A associação de sons a odores apresenta algumas vantagens: não despertam a pessoa que dorme, mas o cérebro processa esses estímulos e reage aos mesmos durante o sono e o sentido do olfato manifesta-se de forma visível, quando a pessoa cheira.

 

A equipa descobriu que ao cheirar, o cérebro age da mesma forma como quando se está a dormir: inala profundamente quando o odor é agradável mas para essa inalação, cheirando de forma rápida e curta, quando o odor se torna desagradável. Embora este tipo de condicionamento possa parecer simples, está associado com áreas do cérebro como o hipocampo, que está envolvido na formação da memória.

 

Durante o estudo, os voluntários dormiram num laboratório especial, tendo o estado de sono sido continuamente monitorizado. Enquanto dormiam, foi tocado um som, seguido de um odor agradável ou desagradável. Depois foi tocado outro som, seguido por um odor no extremo oposto da escala de agradabilidade. No decorrer da noite, as associações foram parcialmente reforçadas para que os participantes fossem também expostos apenas aos sons. Os voluntários reagiram a esses sons quando apresentados isoladamente, como se o odor a eles associado estivesse presente.

 

No dia seguinte, quando acordados, os voluntários ouviram de novo os sons isoladamente. Embora não tivessem recordação consciente de terem ouvido esses sons, os seus ciclos respiratórios reagiram: quando expostos a sons que tinham sido associados a odores agradáveis, inalavam profundamente, ao passo que quando ouviam sons que tinham sido associados a odores desagradáveis, cheiravam várias vezes seguidas de forma rápida e curta.

 

A equipa procurou depois determinar se essa aprendizagem se produz durante uma fase do sono em particular. O estudo revelou que durante a fase REM a resposta aprendida era mais pronunciada, mas a transferência da associação do estado de sono para a vigília era mais evidente quando a aprendizagem tinha decorrido durante a fase não-REM. Noam Sobel e Anat Arzi acreditam que durante a fase REM do sono somos mais influenciados por estímulos externos, a chamada “amnésia do sono faz-nos esquecer a maioria dos nossos sonhos. No entanto, a fase não-REM é a mais importante para a consolidação da memória.

 

“Agora que sabemos que é possível acontecer algum tipo de aprendizagem durante o sono”, disse Anat Arzi, “queremos saber quais são os limites, qual é a informação que pode ser aprendida durante o sono e qual é a que não pode”, conclui.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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