Aprendizagem de uma segunda língua depende das ligações cerebrais

Estudo publicado no “Journal of Neuroscience”

27 janeiro 2016
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As diferenças inatas em como as diferentes partes do cérebro comunicam entre si podem ajudar a explicar por que motivo aprender uma segunda língua é mais fácil para uns adultos do que outros, sugere um estudo publicado no “Journal of Neuroscience”.
 
“Estes achados podem ter implicações para prever o êxito e o fracasso da aprendizagem de idiomas”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos líderes do estudo, Xiaoqian Chai.
 
As várias regiões do cérebro comunicam entre si mesmo quando estão em repouso e não estão envolvidas em tarefas específicas. A força destas ligações, denominada por conetividade em estado de repouso, varia de pessoa para pessoa. As diferenças nas ligações foram anteriormente associadas a comportamentos distintos incluindo capacidade linguística.
 
Neste estudo os investigadores da Universidade de McGill decidiram analisar se as diferenças na conetividade em estado de repouso estavam associadas ao desempenho de uma segunda língua. Para o estudo os investigadores, liderados por Xiaoqian Chai e Denise Klein, submeteram o cérebro de 15 adultos que falavam inglês a uma ressonância magnética. Os participantes estavam para iniciar um curso intensivo de francês de 12 semanas. As suas capacidades linguísticas foram testadas antes e após o curso.
 
Através de ressonâncias magnéticas funcionais, os investigadores analisaram a conetividade do cérebro dos participantes antes do curso de francês ter iniciado. Foram analisadas as forças das ligações entre várias áreas do cérebro e duas regiões específicas da linguagem: uma área do cérebro envolvida na fluência verbal (ínsula anterior esquerda/opérculo frontal) e uma área ativa de leitura, área de forma visual de palavras (VWFA, sigla em inglês).
 
Os investigadores testaram a fluidez verbal e a rapidez de leitura antes e após o curso ter terminado. Para testar a fluência verbal, os participantes falaram francês ao longo de dois minutos. Foram contadas o número de únicas utilizadas corretamente. De forma a testar a velocidade de leitura, os participantes leram trechos de texto em francês em voz alta, tendo sido calculado o número de palavras lidas por minuto.
 
O estudo apurou que os participantes com ligações mais fortes entre a ínsula anterior esquerda/opérculo frontal e uma importante rede de linguagem do cérebro denominada por giro temporal superior esquerdo apresentaram uma maior melhoria no teste oral. Os participantes com maior ligação entre o VWFA e uma área diferente do giro temporal superior esquerdo no lobo temporal esquerdo apresentaram melhorias na velocidade de leitura no final do curso de 12 semanas. 
 
"A parte mais interessante deste achado é que a ligação entre as diferentes áreas foi observada antes de aprendizagem. Isto demonstra que alguns indivíduos podem ter um padrão de atividade neuronal específica que conduz a uma melhor aprendizagem de uma segunda língua”, revelou, em comunicado de imprensa um dos autores do estudo.
 
Contudo, Xiaoqian Chai refere que isto não significa que o sucesso da aprendizagem de uma segunda língua é totalmente pré-determinado pelos circuitos cerebrais. O cérebro é muito plástico, o que significa que pode ser moldado pela aprendizagem e experiência”, explicou Xiaoqian Chai.
 
Este estudo é "um primeiro passo para compreender as diferenças individuais na aprendizagem de uma segunda língua. A longo prazo, pode ajudar-nos a desenvolver melhores métodos para ajudar as pessoas a aprenderem melhor”, concluiu o investigador.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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