Aprendizagem de línguas aumenta a plasticidade do cérebro

Estudo publicado na revista “Scientific Reports”

08 setembro 2016
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A aprendizagem de línguas aumenta a plasticidade do cérebro e a capacidade de aprendizagem. O estudo, publicado na revista “Scientific Reports”, sugere que a aprendizagem precoce de uma língua desempenha um papel importante na formação rápida dos circuitos de memória para a codificação de nova informação.
 

Estudos anteriores já tinham constatado que a compreensão do mecanismo cerebral envolvido na aquisição da linguagem ajuda bastante no diagnóstico e tratamento das pessoas com discurso afetado após acidentes, acidente vascular cerebral e outras condições associadas.
 

Contudo, os autores do estudo referem que a investigação nesta área tem progredido pouco comparativamente com aquelas realizada noutras funções cerebrais, pois não é possível analisar a capacidade verbal nos animais.
 

Neste estudo, os investigadores da Escola Superior de Economia, na Rússia, e da Universidade de Helsínquia, na Finlândia, constataram que quanto maior é o número de línguas estrageiras aprendidas, mais rapidamente o cérebro responde e processa os dados que absorve durante a aprendizagem. Os resultados sugerem assim que a aquisição de mais conhecimento aumenta a capacidade de o cérebro adquirir ainda mais informação.
 

De forma a chegarem a esta conclusão, os investigadores submeteram 22 indivíduos com uma média de 24 anos a um eletroencefalograma durante a realização de exercícios de exposição de palavras. A língua materna de todos os participantes era o finlandês e nenhum tinha aprendido uma segunda língua durante a infância. As famílias eram monolingues e não tinham sido expostos a línguas estrangeiras no infantário.
 

Os participantes começaram a aprender uma língua estrangeira na escola. As línguas mais comuns foram o inglês, por volta dos seis anos, o sueco, aos oito, e a língua alemã, aos 11. As línguas menos comuns foram o latim, aos 16 anos, o dinamarquês, aos 18 e o grego, aos 22 anos.
 

Ao mesmo tempo que estavam a ser submetidos a um eletroencefalograma, os participantes ouviam várias palavras da sua língua materna e de línguas estrangeiras. Algumas das palavras eram conhecidas e outras desconhecidas. As alterações na atividade elétrica do cérebro foram monitorizadas à medida que cada voluntário era exposto à palavra seguinte.
 

Os dados obtidos através do eletroencefalograma foram analisados de acordo com o perfil dos voluntários, nomeadamente o número de línguas que conseguiam falar, a idade que tinham quando aprenderam as línguas, bem como o domínio da língua.
 

De acordo com Yuriy Shtyrov, os resultados sugerem que quanto mais línguas os participantes dominavam mais rapidamente o circuito cerebral, que codifica a informação de novas palavras, reagia.
 

O cientista conclui que estes achados demonstram que a aprendizagem precoce de uma língua desempenha um papel importante na plasticidade geral e na formação rápida dos circuitos de memória de novas palavras.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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