Apreciar música não é uma exclusividade de quem ouve

As vibrações sonoras estimulam actividade no córtex auditivo dos surdos

28 novembro 2001
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Concerteza já ouviu uma peça musical interpretada por um surdo. Se não, então certamente conhece algumas peças compostas por Beethoven. Este grande compositor criou as suas peças mais gloriosas, das quais a Nona Sinfonia é a mais conhecida, quando já estava completamente surdo.
 

 

Um grupo de cientistas pensa ter descoberto as razões pelas quais as pessoas surdas conseguem apreciar música e algumas, como Beethoven, conseguem mesmo fazer composição musical.
 

 

Dean Shibata, professor de radiologia na Universidade de Washington, descobriu que a zona do cérebro normalmente utilizada no processamento dos estímulos auditivos, nos surdos é utilizada para «sentir» as vibrações musicais.
 

 

Segundo este investigador, as vibrações musicais podem funcionar, para os surdos, como verdadeiras ondas sonoras para o cérebro dos surdos. Qualquer música ou qualquer canção são compostas com o objectivo de serem ouvidas mas, de acordo com esta descoberta, o hit musical do momento pode proporcionar aos surdos experiências semelhantes à audição.
 

 

Como é que um surdo capta os sons?
 

 

Segundo D. Shibata, este achado sugere que os surdos «sentem» a música e exploram essa percepção de uma forma muito semelhante à das pessoas ouvintes.
 

 

O som propaga-se pelo ar através de virações. Uma composição musical é constituída por vários sons ordenados de uma forma original e a propagação de uma combinação de sons pelo ar é feita por um conjunto distinto de vibrações. Embora o cérebro dos surdos não seja capaz de processar os sons, a mesma zona tem capacidade para processar as vibrações resultantes da sua propagação através do ar.
 

 

Este investigador baseou-se num estudo realizado com dez surdos e onze ouvintes. Neste estudo, a equipa de D. Shibata fez exames cerebrais por ressonância magnética para comparar a actividade cerebral nos participantes do estudo, quando lhes eram transmitidas vibrações intermitentes através das mãos.
 

 

Em ambos os grupos, as vibrações transmitidas às mãos dos participantes induziram actividade na mesma zona do cérebro, normalmente associada ao processamento de vibrações mecânicas. Contudo, e isto é que constitui a descoberta deste estudo, nos surdos também se registou actividade na região relacionada com a percepção de sons.
 

 

Segundo D. Shibata, este achado é mais um forte argumento a favor da exposição de crianças surdas à música, desde a mais tenra idade uma vez que os estímulos musicais podem ajudar a desenvolver o córtex auditivo nestes indivíduos, maximizando as hipóteses do indivíduo surdo poder apreciar música, tal como uma pessoa com capacidade auditiva.
 

 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos na Internet

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