Apreciar música

A música, as emoções e as crianças

03 abril 2001
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Uma equipa de investigadores da Universidade de Montreal, no Canadá, estudou a forma como parâmetros musicais como o tempo e a tonalidade da música eram entendidos pelas crianças como tornando essas músicas alegres ou tristes.
 

 

Em primeiro lugar o grupo de investigadores criou dois grupos de amostras de música clássica sintetizada e dividiram-nas em alegres e tristes baseados no tempo(“velocidade da música”) e na tonalidade (maior ou menor).
 

 

Crianças de 3 e 4 anos de idade não conseguiram interpretar as emoções musicais, isto é, a Marcha Fúnebre de Chopin ou o Hino da Alegria de Bethoven podem ser, para estas crianças, igualmente alegres. Isto não implica que eles não tenham percepção emotiva da música e não estejam atentos a parâmetros como o ritmo, a tonalidade ou as harmonias. Os autores pensam que talvez, para estes miúdos, a música clássica seja muito complexa e por isso outros investigadores estão já a testar de novo com canções de filmes de banda-desenhada da Disney.
 

 

Por outro lado, crianças de 5 ou mais anos de idade fizeram uma correspondência correcta entre as amostras de música seleccionadas e a emoção correspondente em mais de 4/5 das vezes.
 

 

Os investigadores questionaram-se depois quais os parâmetros responsáveis por esta percepção. Assim, criaram, para cada música, variantes com tonalidade diferente ou com um tempo diferente ou ainda com os dois parâmetros alterados simultaneamente.
 

 

De maneira geral, as crianças entre os 5 e 8 anos de idade reconheciam as mudanças de tom como referentes a diferentes emoções (a escala menor relacionada com uma música triste). Mas crianças com 5 anos de idade estiveram mais atentos ao andamento (músicas mais lentas eram mais tristes) e não distinguiam a mudança de tom como provocando diferenças no valor emotivo da canção.
 

 

À medida que crescemos parece que vamos dando menor importância ao andamento como tornando uma música alegre ou triste.
 

 

Especialistas afirmam que o facto de as crianças se aperceberem da “velociadade da música” antes da tonalidade faz sentido uma vez que grande parte do comportamento é rítmico por natureza, como a fala ou o movimento.
 

 

Certos estudos anteriores haviam já demonstrado que crianças de um ano de idade eram sensíveis à mudança de andamento. Isto implica que grande parte da nossa percepção musical é inata, ao contrário do que se pensava há 10 anos atrás, em que se acreditava que a música era exclusivamente aprendida, sendo fruto de uma cultura.
 

 

Outro pormenor interessante é o facto de que nem todas as culturas escrevem as suas canções baseadas em tonalidades maiores e menores. A cultura oriental e do médio oriente, por exemplo, usa escalas diferentes das usadas por nós ocidentais. E, segundo especialistas, não há muita investigação feita sobre a influência da cultura na música e vice-versa. No entanto, a pouca investigação que há sugere que existe esta relação, baseados na resposta de ocidentais a música indiana.
 

 

Adaptado por
 

Helder Cunha Pereira
 

MNI – Médicos Na Internet
 

 

Fonte: Nature

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