Apneia do sono não tratada em crianças pode afetar células cerebrais

Estudo publicado na revista “Scientific Reports”

22 março 2017
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Um estudo apurou que crianças com apneia obstrutiva do sono moderada ou severa tinham reduções significativas na massa cinzenta em comparação com crianças que tinham um sono normal.
 
O estudo conduzido por uma equipa de investigadores da Universidade de Chicago e Universidade da Califórnia Los Angeles, EUA, contou com a participação de 16 crianças de 7 a 11 anos de idade, com apneia obstrutiva do sono. 
 
Os investigadores avaliaram os padrões de sono das crianças durante a noite. As crianças foram também submetidas a testes neuro-cognitivos e foram feitas ressonâncias magnéticas aos cérebros das mesmas.
 
De seguida a equipa comparou as imagens por ressonância magnética e os resultados dos testes neuro-cognitivos das 16 crianças com imagens por ressonância magnética e de nove crianças saudáveis, sem apneia do sono, da mesma idade, sexo, grupo étnico e peso. As 16 crianças com apneia obstrutiva do sono foram também comparadas a 191 imagens por ressonância magnética de crianças que faziam parte de uma base de dados dos Institutos Nacionais de Saúde.
 
Foram detetadas reduções no volume da massa cinzenta em várias regiões dos cérebros das crianças com apneia obstrutiva do sono. As reduções foram verificadas no córtex frontal (responsáveis pelo movimento, resolução de problemas, memória, linguagem, formação de juízo de valor e controlo dos impulsos), córtex pré-frontal (comportamentos complexos, planeamento, personalidade), córtex parietal (recetores sensoriais), lobo temporal (audição e audição seletiva) e tronco encefálico (funções cardiovascular e respiratória). 
 
Apesar de estas reduções na massa cinzenta serem bastante substanciais, torna-se difícil medir as consequências diretas das mesmas. “As imagens não possuem resolução para determinar se as células do cérebro encolheram ou se foram completamente perdidas”, avançou David Gozal, coautor do estudo e professor de pediatria na Universidade de Chicago.
 
Esta descoberta aponta para uma forte associação entre esta perturbação do sono comum que afeta até 5% de todas as crianças e a perda de neurónios ou o atraso no crescimento neuronal no cérebro em desenvolvimento. 
Esta redução significativa na massa cinzenta em crianças com uma doença que pode ser tratada é mais uma razão para os pais das crianças com sintomas de apneia do sono procurarem a deteção precoce e tratamento daquele problema. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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