Apneia do sono não causa cancro

Estudo publicado no “Canadian Medical Association Journal”

20 agosto 2014
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Uma equipa de investigadores canadianos não detetou nenhuma ligação aparente entre a apneia do sono e o cancro.


O estudo, que contou com a participação de pessoas com esta doença do sono, vem contradizer as descobertas de alguns estudos anteriores, que associavam esta doença do sono à progressão do cancro.


A apneia do sono é uma doença respiratória em que as vias aéreas do paciente se fecham repetidamente durante o sono, causando um sono fragmentado e aumentando o risco de vários problemas de saúde. Em Portugal, a doença afeta 5% da população, maioritariamente homens entre os 30 e 60 anos de idade e com excesso de peso.


“Não conseguimos confirmar as hipóteses anteriores que a apneia do sono obstrutiva é a causa do desenvolvimento do cancro devido à falta intermitente de oxigénio”, confirma Tetyana Kendzerska, autora principal do estudo, do Institute for Clinical Evaluative Sciences and Women's College Hospital na Universidade de Toronto.


Para o estudo, a equipa analisou 10.149 pacientes com apneia do sono que tinham participado num estudo sobre o sono entre 1994 e 2010. A informação foi cruzada com informação de bases de dados de 1991 a 2013.


No início do estudo, 5,1% dos pacientes tinham sido diagnosticados com cancro. Os participantes foram seguidos durante um período de 7,8 anos, durante o qual 6,5% dos participantes que não tinham cancro no início do estudo desenvolveram a doença. Os cancros mais comuns foram do pulmão, mama, próstata e cólon.


Mesmo tendo em conta os vários fatores de risco para o cancro, os investigadores não foram capazes de encontrar uma associação causal entre a apneia do sono e o cancro.


No entanto, a equipa detetou que baixos níveis de oxigénio relacionados com a apneia do sono estavam associados a cancros relacionados com o hábito de fumar. A autora principal do estudo adverte no entanto que “os mecanismos continuam por clarificar” e “esses resultados devem ser interpretados com cuidado”. No entanto, continua, alguns estudos demonstraram que baixos níveis de oxigénio podem acelerar a progressão do cancro. A equipa não se revelou surpreendida com os resultados.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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