Apneia do sono mata mais após a meia-noite

Ataques cardíacos dão-se mais durante a madrugada

25 abril 2005
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Pacientes com apneia do sono têm mais probabilidades de morrer de ataques cardíacos à noite, enquanto dormem, do que durante o dia, momento em que as demais pessoas são mais vulneráveis, segundo investigadores norte-americanos.
 

 

A maioria dos ataques cardíacos nos EUA acontece entre o amanhecer e o meio-dia, mas a apneia do sono-- caracterizada pela tendência a roncar, ficar sem respirar e em seguida despertar assustado-- modifica esse padrão.
 

 

O que ainda não está claro é o quanto a apneia do sono eleva o risco geral de uma morte prematura, disseram os investigadores na revista New England Journal of Medicine. «O estudo não pode saber se a apneia obstrutiva do sono aumenta o risco geral de uma morte súbita por causas cardíacas», escreveram Virend Somers, da Faculdade de Medicina da Clínica Mayo, em Rochester, Minnesota.
 

 

Cerca de 25 por cento dos norte-americanos sofrem de apneia em algum grau. Esse distúrbio faz com que a glote se feche repetidamente durante o sono, causando interrupção da respiração entre os 10 e os 30 segundos, período em que a oxigenação cai drasticamente. Essa doença, mais comum em homens e em obesos, pode sobrecarregar o coração e fazer com que as pessoas se sintam cansadas durante o dia.
 

 

O estudo foi feito com 112 moradores de Minnesota, EUA, que tinham apneia do sono diagnosticada e morreram repentinamente de causas cardíacas. A conclusão foi que tinham muito mais probabilidade de morrer entre 0h e 6h.
 

 

Mais da metade deles morreu entre 22h e 6h -- normalmente, o período em que as pessoas têm menos propensão a sofrer problemas cardíacos letais. Por outro lado, as vítimas da apneia tinham apenas a metade da propensão a morrer de ataque cardíaco entre 6h e 12h, quando as demais pessoas são mais vulneráveis. E, das 12h às 18h, o risco de uma morte súbita por problemas cardíacos era de apenas 30 por cento, em comparação com as pessoas sem apneia. «Mas não demonstrámos que a apneia do sono aumente o risco total de morte súbita», disse o cardiologista Somers.
 

 

O estudo apresentado na semana passada desperta várias questões. Muitas das pessoas com apneia usam máquinas que forçam a entrada do ar pela garganta, mantendo a glote aberta. Segundo o investigador, embora a taxa de mortalidade fosse mais alta durante o sono, isso não significa que as máquinas não sejam eficientes.
 

 

Um estudo muito mais abrangente, com 12 mil pessoas, está a decorrer e pode revelar se a morte é mais comum entre pacientes de apneia.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

Jornalista
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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