Apneia do sono aumenta risco de morte por cancro

Estudo realizado pela University of Wisconsin School of Medicine

24 maio 2012
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A apneia do sono tem sido associada a vários problemas de saúde, como pressão arterial elevada e doenças cardíacas. Agora, um novo estudo, realizado pelos investigadores da University of Wisconsin School of Medicine, sugere que nos indivíduos com cancro, este distúrbio do sono pode aumentar o risco de morte.

 

Estudos anteriores tinham constatado que quando ratinhos eram periodicamente privados de oxigénio os seus tumores da pele cresciam mais rapidamente. Foi também verificado que quando as células cancerígenas eram privadas de oxigénio produziam moléculas que estimulavam o crescimento de vasos sanguíneos, numa tentativa de obter mais oxigénio.

 

Neste estudo os investigadores decidiram averiguar se este efeito também ocorria nos humanos, analisando para tal os dados de 1500 indivíduos que tinham anteriormente ingressado em estudos de distúrbios de sono.

 

Após terem tido em conta a idade, sexo, massa corporal, hábitos tabágicos e outros fatores que poderiam influenciar os resultados, os investigadores constataram que a apneia do sono aumentava o risco de morte por cancro. Foi verificado que quanto mais severo era este tipo de distúrbio de sono maior risco tinham os indivíduos de morrer de cancro.

 

O estudo apurou que os indivíduos com apneia ligeira tinham um risco 10% maior de morrer de cancro, enquanto os tinham apneia moderada e grave apresentavam um risco de 2 e 4,8 maior, respetivamente, de morrer de cancro.

 

O autor do estudo, Javier Nieto, deu conta que este estudo não provou que havia uma causa efeito, mas a associação entre a apneia e o risco de morte por cancro foi bastante forte, sendo também estes resultados concordantes com os obtidos em experiências realizadas em humanos, animais e células.

 

O investigador sugeriu ainda um possível mecanismo envolvido nesta associação. Javier Nieto explicou que quando um indivíduo com cancro fica, repetidamente, privado de oxigénio, as células tumorais tentam colmatar a falta de oxigénio através do crescimento de vasos sanguíneos para que consigam um maior aporte deste gás. “Isto é um mecanismo de defesa”, revelou o investigador em comunicado de imprensa. O crescimento dos vasos sanguíneos ajuda o tumor a disseminar-se, acrescentou.

 

Javier Nieto conclui que os indivíduos que sofrem de apneia de sono devem tratar este tipo de distúrbio dado que aumenta a qualidade de vida, reduz o risco de pressão arterial elevada e doença cardiovascular. Para as pessoas que sofrem de cancro, tratar a apneia de sono pode também significar um aumento da sobrevivência.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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