Apneia de sono pode afetar a memória das tarefas diárias

Estudo publicado no “Journal of Neuroscience”

03 novembro 2014
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A apneia de sono pode afetar a capacidade de formação de novas memórias espaciais, defende um estudo publicado no “Journal of Neuroscience”.
 

A memória espacial é utilizada nas tarefas diárias, como recordar o local do restaurante favorito, lembrar do trajeto para casa mesmo que seja necessário fazer algum desvio à rota habitual. Este tipo de memória está particularmente afetado na doença de Alzheimer, e muitas vezes é o motivo pelo qual estes pacientes ficam frequentemente perdidos.
 

Neste estudo, os investigadores do centro Médico de NYU Langone, nos EUA, basearam-se em estudos de roedores que tinham demonstrado que o sono REM (Rapid Eye Movement ou Movimento Rápido do Olho) tinha efeitos prejudicais na memória. Este estudo demonstrou agora pela primeira vez a importância do sono REM na memória espacial nos humanos.
 

Apesar da apneia do sono ocorrer durante qualquer etapa do sono, esta é frequentemente agravada durante o sono REM devido à redução do tónus muscular nas vias aéreas superiores que ocorre naturalmente nesta etapa do sono.
 

De forma a averiguar qual o impacto do sono REM na apneia do sono, os investigadores liderados por I. Ayappa, recrutaram 18 indivíduos com apneia do sono severa que estavam a ser tratados com pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP), durante a noite. Os pacientes foram convidados a passar duas noites, em ambiente laboratorial, durante as quais jogaram videojogo antes e após o sono.
 

Os pacientes foram submetidos a uma primeira avaliação, antes de qualquer análise dos seus padrões de sono, tendo de navegar num de dois labirintos espaciais 3D. Ao longo de uma das noites, os participantes foram submetidos à CPAP, tal como ocorria habitualmente nas suas casas. Na outra noite, a CPAP foi reduzida durante o sono REM, o que permitiu a ocorrência da apneia do sono. Durante todas as outras fases do sono a CPAP foi mantida a níveis terapêuticos.
 

Na noite em que a CPAP esteve presente durante todo o sono, os investigadores verificaram que ocorreu uma melhoria de cerca de 30% no tempo de execução do labirinto, comparativamente com os resultados obtidos na primeira avaliação. Contudo, quando o sono REM foi interrompido pela apneia de sono não só não houve melhorias como os participantes demoraram mais 5% tempo a completar o labirinto.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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