Apneia de sono aumenta risco de neoplasias

XXIII Congresso de Pneumologia do Norte

03 março 2016
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Os doentes com síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS) têm um risco maior de neoplasias, de acordo com a presidente do Congresso de Pneumologia do Norte, que tem início hoje no Porto.
 
“Ficou demonstrado que os doentes com apneia têm mais risco de ter neoplasia de todo o tipo do que os que não têm apneia. Agora é preciso saber quais são os tipos de neoplasia mais prevalentes e se há rastreio que se possa fazer”, disse à agência Lusa a pneumologista do Hospital de São João, no Porto.
 
De acordo com Marta Drummond, este será um dos temas principais em debate no XXIII Congresso de Pneumologia do Norte que será abordado pelo investigador espanhol responsável pelo estudo que demonstrou a relação entre a apneia do sono, doença com prevalência elevada em Portugal, e o aumento de risco de neoplasia.
 
A apneia do sono é um distúrbio provocado por frequentes obstruções parciais ou completas das vias respiratórias durante o sono, o que leva a episódios repetidos de cessação da respiração enquanto o paciente dorme.
 
“É um tópico recente mas, sobretudo, o que sabemos é que temos de tratar a apneia do sono e diagnosticá-la o mais precocemente possível para evitar complicações”, disse a médica.
 
A relação da apneia do sono com a doença cardiovascular já há muito é conhecida e “agora sabemos também que tem mais riscos de neoplasias. Quais neoplasias e que tipo de rastreio temos de fazer ainda não sabemos, mas sabemos que temos de tratar estes doentes o quanto antes”, frisou.
 
Segundo explicou, “o tratamento é absolutamente eficaz para controlar as pausas respiratórias e com isso controlar as consequências nefastas dessas pausas”.
 
Ao longo do congresso vão ser abordados temas como telemonitorização em medicina e a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) que, tal como a apneia, é uma doença crónica. Esta doença, que é provocada em 95% dos casos pelo tabagismo, tem um tratamento que “diminui os sintomas, consegue atrasar a sua progressão e diminuir a mortalidade”.
 
Marta Drummond referiu que a prevalência da DPOC em Portugal tem aumentado, referindo que “há cerca de dez anos um estudo mostrava que seis por cento tinham DPOC, dez anos depois mostrou que eram 14%, ou seja, mais do que duplicou”.
 
O XXIII Congresso de Pneumologia do Norte pretende ser o fórum de discussão e atualização dos temas emergentes da Pneumologia, reunindo este ano mais de 300 especialistas da área e contando com a participação de oradores não só nacionais, mas também de outros países europeus, como Espanha, Itália, Eslovénia e Suíça. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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