Aplicação fornece dados sobre cuidados paliativos

Aplicação desenvolvida pelo Observatório Português de Cuidados Paliativos

19 fevereiro 2016
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O Observatório Português de Cuidados Paliativos (OPCP), do Porto, desenvolveu uma aplicação gratuita que facilita o acesso a informações sobre os benefícios e o estado atual dos cuidados nesta área.


A investigadora do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) e do King's College London, Bárbara Gomes, referiu à agência Lusa que a aplicação, denominada "Perfis Regionais de Cuidados Paliativos", é um dos trabalhos iniciais do observatório "para perceber as necessidades locais e transmitir informações para esclarecer o público em geral, os profissionais de saúde e todas as audiências interessadas sobre esta área, com dados atuais e reais".


A aplicação explica o que são os cuidados paliativos, apresenta as principais causas e locais de morte em Portugal, estatísticas para que se possa compreender melhor as necessidades e assimetrias regionais e faz a geolocalização das equipas de cuidados paliativos existentes em cada região, por tipologia de cuidados (unidades de internamento, apoio intra-hospitalar e cuidados domiciliários).


Bárbara Gomes referiu que os grandes "buracos" na prestação de cuidados encontram-se nas regiões do interior centro do país, não existindo, em algumas delas, "nenhuma resposta em termos de equipas especializadas nesta área e há uma ausência de oferta gritante sobretudo nos cuidados paliativos domiciliários", onde apenas nove em 30 regiões têm equipa especializada e, dessas nove, quatro têm só uma equipa a servir a região toda.


"A maior parte das pessoas, se lhes for dada essa escolha, preferem morrer em casa, mas isso é condicionado pelo nível de suporte que recebem. Se puderem usufruir de cuidados paliativos domiciliários, as chances de morrerem em casa duplicam", explicou a investigadora, acrescentando que 62% da população morre nos centros hospitalares.


Para o desenvolvimento da aplicação foram analisados dados de mais de um milhão de pessoas, falecidas entre 2004 e 2013, provenientes do projeto DINAMO, financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian. Foram utilizados dados ao nível do perfil demográfico e a sua evolução ao longo dos dez anos, a idade, as principais causas de morte (doenças cardiovasculares, respiratórias e cancro) e o local de morte (hospital, domicílio e outros lugares).


Uma das expectativas é que a aplicação atinja um público vasto, incluindo também os mais jovens, "que não se confrontam todos os dias com a necessidade de cuidados paliativos", mas que podem "durante a vida, debater-se com uma doença avançada e progressiva, direta ou indiretamente".
 

A aplicação encontra-se disponível através dos websites do OPCP e da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos.


ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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