Apêndice: um herói silencioso?

Estudo publicado na revista “Nature Immunology”

03 dezembro 2015
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Uma equipa internacional de investigadores demonstrou que as células do sistema imunitário ajudam o apêndice a desempenhar um papel importante na manutenção do sistema digestivo saudável, apoiando a teoria de que este não é um órgão vestigial ou redundante, refere um estudo publicado na revista “Nature Immunology”.
 
Os investigadores do Centro de Investigação Médica Walter e Eliza Hall, na Austrália e do Centro de Imunologia de Marseille-Luminy, em França, descobriram que as células linfoides inatas (ILCs) são muito importantes na proteção contra as infeções bacterianas nos indivíduos com um sistema imunológico comprometido.
 
Ao impedirem a ocorrência de danos significativos e a inflamação do apêndice durante um ataque bacteriano, as ILCs protegem o órgão e ajudam-no a desempenhar uma função importante no organismo, ou seja, um reservatório natural de bactérias benéficas. 
 
Na opinião de uma das autoras do estudo, Gabrielle Belz, estes resultados mostram que o apêndice merece mais crédito do que aquele que lhe tem sido dado até à data.
 
“Descobrimos que as ILCs podem ajudar o apêndice a propagar as bactérias benéficas dentro do microbioma. Um microbioma equilibrado é essencial para que o intestino recupere das ameaças bacterianas, como no caso de uma intoxicação alimentar”, referiu a investigadora.
 
Na opinião da investigadora ter um apêndice saudável pode até salvar as pessoas de ter que tolerar as opções mais extremas para repovoar ou equilibrar o microbioma. Em certos casos, as pessoas necessitam de repovoar os intestinos com bactérias saudáveis através de um transplante fecal. Este processo envolve o transplante de bactérias intestinais de um indivíduo saudável para um paciente. Contudo, este estudo sugere que as ILCs são capazes de desempenhar um papel importante na manutenção da integridade do apêndice.
 
Os investigadores explicaram que, nos indivíduos saudáveis, as ILCs fazem parte de um arsenal de proteção em multi-camadas das células do sistema imunológico. Desta forma, quando uma camada é esgotada, o corpo tem reservas que podem combater a infeção.
 
Nos indivíduos com o sistema imunológico comprometido, como é o caso dos que estão a receber tratamentos contra o cancro, estas células são essenciais para combater as infeções bacterianas no sistema gastrointestinal. Isto é particularmente importante porque as ILCs são capazes de sobreviver no intestino, mesmo durante estes tratamentos, os quais acabam por habitualmente eliminar outro tipo de células do sistema imunológico. 
 
Os investigadores já tinham demonstrado, em estudos anteriores, que as proteínas presentes nas folhas verdes dos vegetais poderiam ajudar a produzir as ILCs. Também se sabe que estas células desempenham um papel importante nas doenças alérgicas, como a asma, na doença inflamatória do intestino e psoríase. “Assim é essencial conhecermos o seu papel no intestino e como poderemos tratar esta doença ou promover uma melhor saúde”, conclui Gabrielle Belz.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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