Apenas um em cada dez doentes terminais tem acesso a cuidados paliativos

Alerta da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos

25 março 2014
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A Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos alerta para o facto de apenas um em cada dez doentes terminais tem acesso a cuidados paliativos.
 

Em entrevista à agência Lusa, o presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos classificou como “altamente negativo” o panorama atual desta área em Portugal, embora reconhecendo que houve esforços de melhoramento.
 

Com base nos dados de relatórios de entidades oficiais, Manuel Luís Capelas indica que pelo menos 90% da população portuguesa que necessitaria de cuidados paliativos não tem acesso a eles.
 

“No máximo, só 10% da população terá acesso a cuidados paliativos. Estamos a deixar muitos destes doentes a serem cuidados noutra tipologia de serviços que não são os mais adequados para dar resposta cabal às suas necessidades”, disse.
 

A burocracia na referenciação de doentes é um dos problemas desta área, que já está diagnosticado há muito e que a lei de bases para o setor queria alterar. “A ideia da lei de bases, que continua a aguardar regulamentação, era agilizar e tornar a referenciação numa referenciação clínica, que tivesse em conta a prioridade dos doentes e não a questão burocrática da ordem numa lista de espera”, disse Manuel Luís Capelas.
 

Para o presidente da Associação, sem a regulamentação da lei, a rede nacional de cuidados paliativos parou. “Isto leva a aumentos de tempos de espera. Cerca de 50% dos doentes referenciados nem sequer chegam a ser admitidos nas unidades porque morrem entretanto”, lamentou.
 

A falta de equidade no acesso a estes cuidados é outro dos problemas que se verifica, havendo distritos que continuam sem um único recurso de cuidados paliativos.
 

A investigadora Bárbara Gomes refere também que a maioria das pessoas com doença avançada prefere morrer em casa, uma hipótese que duplica de probabilidade quando os doentes recebem cuidados de saúde domiciliários.
 

Bárbara Gomes indicou que a oferta de cuidados paliativos ao domicílio é “bastante reduzida em Portugal”, havendo cerca de 14 equipas para um universo de mais de 60 mil doentes.

 

“O objetivo é que todas as pessoas com doença avançada e seus familiares possam pedir para ser vistos por estas equipas, mas para tal elas têm de existir”, comentou a investigadora, doutorada em cuidados paliativos no King's College London, Cicely Saunders Institute.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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