Apenas 8,2% do ADN é funcional

Estudo publicado na revista “Plos Genetics”

29 julho 2014
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Apenas 8,2% do ADN humano é funcional. Os resultados publicados na revista “Plos Genetics” são bem diferentes dos apresentados em 2012 pelos investigadores envolvidos no projeto ENCODE, que defenderam, na altura, que 80% do nosso genoma tinha alguma função bioquímica.
 

Esta informação foi muito controversa, tendo alguns especialistas argumentado que a definição de função bioquímica era demasiado ampla e que a funcionalidade teria de ser demonstrada através de atividades verdadeiramente relevantes.
 

Neste estudo, os investigadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, usaram a capacidade de evolução para discernir as atividades importantes daquelas que não o são. Foram utilizadas abordagens computacionais para comparar sequências de ADN completas de vários mamíferos desde ratinhos, a coelhos, cães, cavalos e humanos.
 

“Ao longo da evolução destas espécies ocorreram mutações no ADN, tendo a seleção natural preservado as sequências úteis”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Gerton Lunter.
 

Assim, o estudo apurou que apenas 8,2% do genoma humano é funcional. O resto do genoma é constituído por material evolutivo que restou, partes do genoma que sofreu perdas ou ganhos de ADN. Os investigadores referem ainda que nem todos os 8,2% do genoma são igualmente importantes. As proteínas envolvidas nos processos biológicos importantes são codificadas por pouco mais de 1% do ADN. Pensa-se que os restantes 7% do genoma estão envolvidos na ativação ou desativação de genes que codificam proteínas, em momentos diferentes, em resposta a diversos fatores e partes distintas do organismo.
 

Ao compararem os genomas das diferentes espécies, os investigadores verificaram que os genes que codificam proteínas estão conservados ao longo de todos os mamíferos e os que estão mais estreitamente relacionados apresentam uma maior proporção de ADN funcional em comum.
 

Contudo, apenas 2,2% do ADN humano funcional é partilhado, nomeadamente com os ratinhos. “O facto de apenas termos esta pequena percentagem em comum com os ratinhos não mostra que somos diferentes. Não somos assim tão especiais. A nossa biologia fundamental é muito similar. Cada mamífero tem aproximadamente a mesma quantidade de ADN funcional, e aproximadamente a mesma distribuição de ADN funcional que é muito e pouco importante. Biologicamente os humanos são até bastante vulgares”, conclui um outro autor do estudo, Chris Pointing.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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