Apenas 8% dos portugueses com enfarte têm reabilitação cardíaca

Dados da Sociedade Portuguesa de Cardiologia

18 maio 2015
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Apenas oito por cento dos doentes portugueses com enfarte têm acesso a um programa de reabilitação cardíaca, um valor muito abaixo da média europeia que se situa nos 30%.
 
Em entrevista à agência Lusa, o presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, Miguel Mendes, explicou que Portugal está, ao nível da mortalidade cardiovascular, “a meio da tabela” entre os países europeus.
 
Apesar de a mortalidade por causa cardíaca em Portugal ter vindo a diminuir (ainda que as estatísticas conhecidas se refiram somente até 2012), Miguel Mendes considera que o país ainda precisa de se organizar melhor para “dar respostas mais corretas”.
 
Nesse âmbito, o presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia defende uma aposta na reabilitação cardíaca, uma vez que esta apenas é cumprida por oito por cento dos doentes em Portugal, quando há países europeus que chegam a atingir os 90%.
 
“O tratamento do enfarte agudo do miocárdio é, de facto, muito importante nas primeiras horas e aqui os serviços estão relativamente organizados e temos um sistema que funciona bastante bem. No internamento temos respostas boas. À saída do internamento é que já não estamos em padrões europeus, que tem a ver com a reabilitação cardíaca, um programa de acompanhamento e educação dos doentes”, afirmou Miguel Mendes à Lusa.
 
A reabilitação cardíaca consiste num programa de dois a três meses que integra exercício físico e educação do doente e da família em relação a fatores de risco, como controlo do stress, alimentação, eventual adaptação da vida profissional ou retoma da atividade sexual.
 
Este tipo de reabilitação permite reduzir a mortalidade em 25%, uma vez que no primeiro ano após o enfarte há ainda o risco de problemas ou complicações.
 
Os únicos programas de reabilitação cardíaca disponibilizados pelo Serviço Nacional de Saúde estão circunscritos aos hospitais do Porto, Lisboa e Faro.
 
Embora reconheça a necessidade de instalar uma resposta hospitalar ao nível da reabilitação cardíaca nas zonas do Minho e das Beiras, Miguel Mendes destaca a necessidade de montar uma resposta “sobretudo na zona sul do país”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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