Apenas 10% dos universitários do Centro fizeram teste de VIH

Estudo realizado no Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX

12 dezembro 2014
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Apenas 10,7% dos jovens a frequentar o 1.º ano das universidades da região Centro realizaram o teste de VIH, dá conta um estudo realizado no Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX (CEIS20) de Coimbra.

 

A responsável pelo projeto de investigação e doutoranda da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, Aliete Cunha-Oliveira, revelou à agência Lusa que a conclusão do estudo "é preocupante" e chama a atenção "para a necessidade e urgência de promover a realização generalizada do teste" do vírus da sida.

 

O estudo apurou que cerca de 70% dos alunos inquiridos tinham já iniciado a atividade sexual, com uma idade média de iniciação sexual de 16,5 anos, refere o estudo, que abrangeu 1.303 alunos do 1.º ano das universidades de Coimbra, Aveiro e Beira Interior (Covilhã).

 

De acordo com Aliete Cunha-Oliveira, "a perceção de risco é muito baixa", apontando para os diagnósticos tardios, que representam 58% do total de diagnósticos realizados em Portugal. "Os jovens estudantes universitários, em geral, não constituem um particular grupo de risco para o VIH", referiu.

 

Contudo, "é sabido que entre eles há elevados padrões de comportamentos sexuais de risco" e, ao pertencerem a uma categoria transitória, "não aportam dados que sustentem a tese de ausência de risco, porque se eventualmente se infetarem pelo VIH, a infeção só será detetada quando eles já não pertencerem às categorias de jovens e de estudantes universitários", disse a investigadora.

 

Ao haver diagnósticos tardios, as infeções detetadas entre os 30 e os 40 anos podem corresponder a contágios ocorridos "por volta dos 20 anos de idade ou menos", acrescentou.

 

O estudo também apurou que a média de parceiros sexuais ao longo da vida destes estudantes universitários era de 2,26 e de 1,31 nos últimos meses, sendo que 72,8% afirmavam usar preservativo com parceiro fixo e 82,2% com parceiro ocasional e cerca de 20% já tinham tido relações sexuais sob efeito de álcool ou outras drogas. Mais de 80% já tinham sido abrangidos por programas de prevenção, mas apenas 27% se recordava da última campanha preventiva.

 

"A realização do teste do VIH é a única forma de combater o nosso atraso no que respeita à data do diagnóstico", referiu, frisando que parece "haver uma nova compreensão deste problema com a recente decisão de tornar o teste de VIH um exame de rotina".

 

Por outro lado, também é "importante realizar ações de informação e formação sobre os fatores de risco e proteção para o VIH".

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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