Aparelho caseiro poderá analisar a atividade cerebral

Ideia apresentada na Web Summit

11 novembro 2016
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Um aparelho de poucos centímetros que pode analisar a atividade cerebral, agora só possível em instituições ligadas à saúde e através de sistemas caros, pode dentro de um ano estar em cada casa.
 

“A ideia é ajudar a saúde mental, monitorizando e treinando a atividade cerebral”, explicou à agência Lusa um dos seus criadores, Ricardo Gil da Costa, que apresentou a invenção na conferência de tecnologia que decorreu em Lisboa, a Web Summit.
 

Ricardo, orador num painel chamado “Mobilising mental health: A brain interface for everyday life” (Mobilizar a saúde mental: uma interface cerebral para todos os dias), explicou o conceito e os avanços da iniciativa, a ser desenvolvida pela empresa que criou nos Estados Unidos, onde trabalha, a Neuroverse. O aparelho, que se conecta com um telemóvel ou um tablet, pode ajudar em doenças como Parkinson ou Alzheimer, entre outras.
 

Ricardo é doutorado em neurociências, trabalhou como investigador em institutos nacionais de saúde norte-americanos, dedica-se à investigação e criou a empresa com base no que já fazia, o estudo e monitorização de vários tipos de sinais cerebrais.
 

“Temos conhecimentos que não estão a ser utilizados e temos problemas de aumento exponencial de doenças como Alzheimer ou Parkinson. Há um aumento de longevidade e o cérebro não acompanha essa longevidade”, disse, lembrando que aliado ao sofrimento desses doentes há um custo de tratamento também muito elevado.
 

De acordo com o investigador faltava um sistema de monitorização do cérebro do ponto de vista neurofisiológico, que se faz nos hospitais (muitas vezes quando a doença já está em fase muito avançada), mas com sistemas muito caros e que exigem muitas estruturas e pessoal especializado.
 

Por isso, Ricardo propõe um pequeno aparelho, que se põe na testa, que faz tudo isso em casa, que é acessível a qualquer bolsa e que pode medir aspetos como a atenção ou a memória. E de uma forma lúdica, até com jogos, permitindo que os resultados sejam enviados ao médico.
 

“Percebemos que não podia ser só um aparelho e criámos todo um ecossistema. Tinha de haver uma base de dados que permitisse, ao recolher as ondas cerebrais, analisar e fazer uma avaliação”. Isso faz-se com uma ligação a um telefone e Ricardo diz que a variedade de componentes não tornam os testes aborrecidos, podendo-se construir os tais jogos.
 

A Neuroverse tem também em fase final um estudo sobre esquizofrenia e tem projetos de investigação em áreas como a depressão, distúrbios de stress, distúrbios pós-traumáticos e Alzheimer.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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