Antipsicóticos causam aumentos drásticos de peso em crianças

Estudo publicado no JAMA

26 novembro 2009
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As crianças e os adolescentes que tomam antipsicóticos para o tratamento de doenças como a esquizofrenia, a doença bipolar e o autismo tendem a apresentar um forte aumento de peso, alerta um amplo estudo apresentado no “Journal of the American Medical Association” (JAMA).

 

O estudo, liderado por Christoph Correll, do Zucker Hillside Hospital, em Nova Iorque, EUA, quis avaliar a segurança e a eficácia da recente classe de antipsicóticos no tratamento dos jovens. No trabalho, a equipa acompanhou 272 pacientes, com idades entre os quatro e os nove anos, os quais estavam a tomar antipsicóticos pela primeira vez. Os pacientes foram tratados para distúrbios do espectro do estado de ânimo, espectro de esquizofrenia e espectro de conduta agressiva.

 

Quinze pacientes, que serviram como grupo de controlo, descontinuaram a medicação antipsicótica por um período de quatro semanas.

 

O estudo centrou-se em quatro antipsicóticos prescritos com muita frequência às crianças: aripiprazol, olanzapina, quetiapina e risperidona.Ao longo de 11 semanas, em média, as crianças tratadas com olanzapina aumentaram 8,5 kg, os que tomaram quetiapina, 6,1 kg, o grupo que recebeu risperidona, 5,3 kg e os tratados com aripiprazol tiveram um aumento de peso de 4,4 kg. Por seu turno, as crianças pertencentes ao grupo de controlo aumentaram menos de 0,23 kg. Entre 10 a 36% das crianças tornaram-se obesas ou adquiriram excesso de peso durante o período de tratamento, facto considerado pelo investigador como um “aumento de peso rápido e drástico, maior do que anteriormente se tinha descrito”.

 

Os medicamentos provocaram efeitos variados nos níveis metabólicos: as crianças que tomaram olanzapina e quetiapina sofreram mudanças adversar significativas nos níveis de colesterol total e de triglicerídeos.

 

Os investigadores aconselham, por isso, os médicos e as famílias a pesarem cuidadosamente os riscos e os benefícios dos medicamentos contra aqueles distúrbios e a considerar outras opções farmacêuticas e não farmacêuticas. Do mesmo modo, também é importante educar as crianças para adoptarem estilos de vida saudáveis e monitorizar o seu peso e os níveis de lípidos e de glicose no sangue.

 

Embora este tenha sido o estudo que envolveu um maior número de crianças, ele não foi o primeiro a alertar contra os malefícios da administração destes fármacos a crianças.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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