Antioxidantes podem promover disseminação do cancro

Estudo publicado na revista “Nature”

21 outubro 2015
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As células cancerígenas podem beneficiar mais com os antioxidantes do que as células saudáveis, aumentado a preocupação sobre a utilização de antioxidantes na dieta dos pacientes com cancro, dá conta um estudo publicado na revista “Nature”. 
 
No estudo, os investigadores da Universidade do Texas, nos EUA, utilizaram ratinhos que tinham sido transplantados com células de melanoma de pacientes humanos. Estudos anteriores já tinham demonstrado que as metástases de células de melanoma humano em ratinhos previam o risco de metástases nos pacientes humanos.
 
Já há algum atempo que se sabe que a disseminação do cancro de uma parte do organismo para outra (metastização) é um processo ineficaz no qual a vasta maioria das células cancerígenas que entra na corrente sanguínea não sobrevive.
 
No estudo os investigadores constataram que as células do melanoma metastizadas são alvo de elevados níveis de stress oxidativo que conduzem à sua morte. Contudo, a administração de antioxidantes em ratinhos permitiu que um maior número células do melanoma metastizadas sobrevivesse.
 
“A ideia de que os antioxidantes são benéficos tem sido tão forte que em muitos ensaios clínicos os pacientes com cancro foram tratados com estas substâncias. Alguns destes ensaios tiveram de ser interrompidos, pois os pacientes aos quais tinham sido administrados antioxidantes estavam a morrer mais rapidamente. Os nossos dados sugerem a razão para isto: as células cancerígenas beneficiam mais dos antioxidantes do que as células saudáveis”, explicou, em comunicado, um dos autores do estudo, Sean Morrison.
 
Os indivíduos saudáveis que não têm cancro podem beneficiar da toma de antioxidantes, uma vez que estes ajudam a reduzir os danos resultantes das moléculas oxidativas altamente reativas que são produzidas pelo metabolismo normal. Apesar dos resultados do estudo ainda não terem sido provados em humanos, levantam a possibilidade de o cancro ser tratado com pró-oxidantes e os pacientes com cancro não deverem incluir na dieta doses elevadas de antioxidantes.
 
“Estes achados abrem também a possibilidade de que, no tratamento do cancro, se deveria testar se o aumento de stress oxidativo através de pró-oxidantes impediria as metástases. Uma das possíveis abordagens é ter como alvo a via do folato, que as células do melanoma utilizam para sobreviver ao stress oxidativo, o que iria aumentar o stress oxidativo nas células cancerígenas”, conclui o investigador.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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Comentários 1 Comentar

anti (nflamatórios/oxidantes)

desculpem...estamos a falar de anti-inflamatórios ou antioxidantes???

obrigada...

E.

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