Antioxidantes: podem aumentar progressão do cancro?

Estudo publicado na revista “Science Translational Medicine”

04 fevereiro 2014
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A toma de antioxidantes, como a vitamina E, pode acelerar o crescimento de tumores nas populações de elevado risco, como é o caso dos fumadores, defende um estudo publicado na revista “Science Translational Medicine”.
 

Os antioxidantes incluindo a vitamina A, C e E, são compostos químicos que atrasam alguns tipos de danos celulares ao impedirem a acumulação de moléculas conhecidas por espécies reativas de oxigénio.
 

Durante muito tempo, a comunidade científica acreditou que os antioxidantes poderiam desempenhar um papel importante na prevenção do cancro. Contudo, alguns ensaios clínicos realizados em humanos constataram que os antioxidantes não impedem o desenvolvimento do cancro do pulmão, podendo mesmo aumentar o seu risco em populações mais suscetíveis. No entanto, ainda não se sabia a razão deste efeito inesperado dos antioxidantes.
 

De forma a tentar averiguar qual o motivo deste efeito, os investigadores da Universidade de Gothenburg, na Suécia, administraram dois antioxidantes, a vitamina E e N- acetilcisteína, a ratinhos geneticamente modificados para desenvolver cancro do pulmão.
 

O estudo apurou que a administração de qualquer um dos antioxidantes acelerou o crescimento dos tumores em cerca de três vezes, tornou-os mais invasivos e matou os animais duas vezes mais rápido do que os ratinhos do grupo de controlo. Experiências realizadas com linhas celulares humanas conduziram a resultados similares.
 

Os investigadores constataram que os antioxidantes parecem aumentar a progressão do cancro através da diminuição da quantidade de uma proteína conhecida por suprimir o cancro, a p53. Foi verificado que na sua ausência os antioxidantes não tinham qualquer efeito.
 

Na opinião dos autores do estudo os efeitos prejudicais dos antioxidantes podem passar pela redução dos níveis das espécies reativas de oxigénio, que por sua vez reduzem os danos no ADN. Esta redução nos danos pode conduzir a uma diminuição dos níveis da p53.
 

Os resultados sugerem que os indivíduos com pequenos tumores no pulmão por diagnosticar, que podem ocorrer com um maior frequência nos fumadores, não devem consumir quantidades extra de oxidantes, uma vez que estes podem acelerar a sua progressão.
 

Os investigadores referem que estes resultados podem ter também importantes implicações clínicas para os indivíduos com doença pulmonar obstrutiva crónica, uma vez que estes tomam frequentemente acetilcisteína para diminuir a produção de muco e melhorar a respiração.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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