Antioxidante reduz irritabilidade das crianças com autismo

Estudo publicado no “Biological Psychiatry”

08 junho 2012
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O antioxidante N-acetilcisteína pode ajudar a diminuir a irritabilidade das crianças com autismo, sugere um estudo publicado no “Biological Psychiatry”.

 

Cerca de 60 a 70% das crianças com autismo sofrem de irritabilidade, facto que faz com que as crianças atirem objetos e sejam agressivas com os outros. Este sentimento pode afetar a aprendizagem e a capacidade das crianças em participarem nas terapias“, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Antonio Hardan.

 

Assim, uma das prioridades dos investigadores é encontrar novos medicamentos para tratar o autismo assim como os seus sintomas. Atualmente, a agressividade, a irritabilidade e as alterações de humor são tratados com antipsicóticos de segunda geração. Contudo, estes tipos de fármacos causam efeitos adversos graves os quais incluem movimentos motores involuntários, síndroma metabólica e aumento de peso.

 

Um outro problema do autismo é a falta de tratamentos que consigam controlar os comportamentos repetitivos, a pobre interação social e os problemas de linguagem, característicos dos indivíduos com esta doença. "Atualmente, em 2012, não temos medicamentos eficazes para tratar os comportamentos repetitivos, como o agitar das mãos ou qualquer uma das outras características do autismo”, explicou o investigador.

 

Para o estudo, os investigadores da Stanford University School of Medicine e do Lucile Packard Children's Hospital, nos EUA, contaram com a participação de 31 crianças autistas que tinham entre 3 e 12 anos de idade. Os investigadores administraram às crianças N-acetilcisteína ou um placebo durante 12 semanas, tendo estas também sido submetidas a uma avaliação antes do início do estudo e durante o tratamento, de quatro em quatro semanas.

 

Os investigadores constataram, através da utilização de uma escala de avaliação para irritabilidade, que o tratamento com N-acetilcisteína diminui a irritabilidade de 13.1 para 7,2 pontos. Contudo, este antioxidante não reduziu tanto a irritabilidade como os antipsicóticos.

 

Adicionalmente foi observado que o tratamento com N-acetilcisteína também reduziu os comportamentos repetitivos e estereotipados dos participantes. Foi também verificado que este tratamento apresentou efeitos adversos moderados, nomeadamente diminuição de apetite, diarreia, obstipação e náusea.

 

Apesar de os investigadores não terem avaliado a forma de atuação do N-acetilcisteína, acreditam que este aumente a capacidade da principal via antioxidante do organismo. Estudos anteriores também tinham indicado que esta doença está associada a um desequilíbrio dos neurotransmissores excitatórios e inibitórios no cérebro. A N-acetilcisteína pode modelar os neurotransmissores excitatórios, sendo assim a sua toma benéfica para os indivíduos com autismo.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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