Antiepiléptico mostra-se eficaz na retinose pigmentar

Estudo publicado no “British Journal of Ophthalmology”

27 julho 2010
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Um fármaco antiepiléptico, usado no controlo das crises epilépticas e da doença bipolar, mostrou-se eficaz no tratamento da retinose pigmentar, revela um estudo publicado no “British Journal of Ophthalmology”.

 

A retinose pigmentar é uma doença degenerativa hereditária rara, que afecta a retina e pode culminar em cegueira. Os sintomas - cegueira nocturna ou perda de visão periférica - iniciam-se normalmente na adolescência ou no início da idade adulta, mas também podem ocorrer na infância.Em muitos casos, evolui para a cegueira por volta dos 40 anos.

 

Trata-se de uma das doenças degenerativas da retina mais comuns, caracterizada pela degeneração dos bastonetes (as células que permitem a visão com pouca luz) e, por vezes, também dos cones (as células que detectam as cores e os pormenores).

 

Nesta análise, realizada por Shalesh Kaushal, da University of Massachusetts Medical School, nos EUA, foram analisados resultados de vários estudos que usaram ácido valpróico para o tratamento da retinose pigmentar. Segundo esta revisão de estudos, o ácido valpróico parece conseguir travar a perda da visão em pacientes com a condição, resultando, em muitos casos, num campo de visão melhorado. Os resultados da revisão, em conjunto com dados obtidos em estudos in vitro, sugerem que o ácido valpróico pode ser um tratamento eficaz para conter a perda de fotorreceptores associada à doença.

 

Num dos ensaios clínicos, os pacientes foram tratados com doses diárias do medicamento, de 500 mg a 750 mg, durante um período entre dois a seis meses. Tratados no momento em que estavam a perder rapidamente a visão, cinco dos sete pacientes do estudo experimentaram grandes melhorias. "A inflamação e a morte celular são os principais componentes da condição", disse, em comunicado enviado à imprensa, o investigador responsável pela análise, Shalesh Kaushal, adiantando que, como "parece que o ácido valpróico protege as células fotorreceptoras dessa inflamação, se a nossa observação puder ser confirmada pelos ensaios clínicos, então, uma dose baixa de ácido valpróico pode ter um enorme potencial para ajudar milhares de pessoas que sofrem da doença".

 

Até à data, a procura de um tratamento para a condição tem sido em vão, dado que existem mais de 40 genes diferentes associados à doença, tornando muitas intervenções impraticáveis ou impossíveis. Como resultado, a doença permanece, em grande parte, sem tratamento.

 

Actualmente, a maioria das terapias para a retinose pigmentar estão ainda em fase de investigação e centram-se na suplementação nutricional de vitamina A, na redução da luz ou em terapias genéticas.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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Comentários 1 Comentar

retinosepigmentar

Tenho um afilhado que tem essa doença e apesar das limtações (surdez) e pouca visão ele tem muiota força de vontade e até faz natação. Sabe ler e escrever e se comunica quase que normalmente com as pessoas mais próximas. Ele agora fez 31 anos e a mãe ao invés de comemorar chora mais ainda pq ele está piorando e agora eu entendi porque pois ao que parece qdo chegar aos 40, pode oocorrer a perda da visão por completo. Por favor, gostaria de obter mais informações de como podemos fazer pelo menos para estacionar a doença. Quem poderia me dar mais esclarecimentos é a mãe, mas ela evita falar no assunto.
obrigada, Fátima

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