Antidiabético mostra-se promissor na doença de Alzheimer

Estudo publicado na revista “Neuropharmacology”

18 setembro 2013
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Um fármaco habitualmente utilizado no tratamento da diabetes poderá reverter os sintomas da doença de Alzheimer. Este fármaco está prestes a ser testado num ensaio clínico de grandes dimensões, segundo um estudo publicado na revista “Neuropharmacology”.
 

De acordo com os investigadores da Universidade de Lancaster, no Reino Unido, a liraglutida poderá reverter a perda de memória associada aos estádios mais avançados de doença, assim como impedir o desenvolvimento das placas tóxicas no cérebro, que contribuem para os sintomas da doença.
 

A liraglutida pertence a uma classe de fármacos conhecida por análogos do GLP-1. Este fármaco é habitualmente prescrito nos pacientes com diabetes e utilizado para estimular a produção de insulina. Contudo, os investigadores liderados, por Christian Hölscher, constataram que a liraglutida pode também atravessar a barreira do sangue e proteger as células cerebrais.
 

Os investigadores testaram este fármaco em ratinhos com 14 meses de idade que sofriam de doença de Alzheimer em estado avançado. A liraglutida foi injetada ao longo de dois meses. O estudo apurou que, ao longo deste período, os animais apresentaram melhores resultados nos testes de reconhecimento de objetos, tendo os seus cérebros apresentado uma redução de cerca de 30% no desenvolvimento das placas tóxicas.
 

A liraglutida “melhora a reparação das células nervosas, o metabolismo energético é normalizado, as sinapses mantêm-se funcionais, o stress oxidativo é reduzido e o crescimento e substituição dos neurónios são aumentados. O cérebro fica assim mais capaz de lidar com o stress e com as influências tóxicas”, explicou o investigador.
 

De acordo com Christian Hölscher, os resultados deste estudo sugerem que os biomarcadores chave da doença, como a formação das placas beta-amilóide, falhas de memória, perda de sinapses, perda de atividade sináptica e desenvolvimento da resposta inflamatória crónica no cérebro sofreram uma redução.
 

Caso este fármaco confira a mesma proteção aos neurónios humanos, o investigador acredita ter desenvolvido o primeiro tratamento que protege a função e a atividade neuronal, memória, enquanto simultaneamente reduz as placas de beta-amilóide e a resposta inflamatória no cérebro.
 

“Esta seria uma descoberta marcante. As pessoas poderiam continuar a ter uma vida independente, e talvez continuar a trabalhar. Esperamos que este ensaio produza resultados positivos”, conclui o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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