Antidepressivos: porque não funcionam para todos os pacientes?

Estudo publicado na revista “Translational Psychology”

12 dezembro 2013
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A eficácia dos inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS) no tratamento da depressão pode ser revelada através de um gene, segundo um estudo publicado na revista “Translational Psychology”.
 

Acredita-se que os ISRS são fármacos que bloqueiam a reabsorção do neurotransmissor serotonina do cérebro, deixando-o mais disponível para ajudar as células cerebrais a enviarem e receberem sinais químicos, aumentando consequentemente o humor. Apesar de os ISRS serem os antidepressivos mais comummente prescritos, os pacientes têm, por vezes, que tentar vários ISRS até encontrarem um que realmente surta efeito, não se sabendo por que motivo alguns indivíduos respondem a melhor a estes fármacos do que outros.
 

De forma a tentar descobrir os genes que poderão ser responsáveis pela resposta do cérebro a este tipo de antidepressivos, os investigadores da Universidade de Tel Aviv, Israel, expuseram 80 culturas de células diferentes a um tipo de ISRS, a paroxetina.
 

O estudo apurou que o gene CHL1 era produzido em níveis baixos nas linhas celulares mais sensíveis ao tratamento, e em níveis elevados nas linhas menos sensíveis ao fármaco. De acordo com os investigadores, este novo biomarcador poderá ser utilizado para o desenvolvimento de um teste genético capaz de ajudar os médicos a prescrever um tratamento personalizado para a depressão.
 

“Gostaríamos de, no final, ter um teste sanguíneo que permitisse informar o médico qual o fármaco que melhor se adequa a um determinado paciente”, revelou, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo, Keren Ovedum.
 

Adicionalmente, os investigadores também tentaram averiguar por que motivo os níveis do gene poderiam prever a capacidade de resposta do cérebro aos ISRS. Após terem exposto linhas celulares humanas à paroxetina, verificaram que o fármaco aumentava a produção de um outro gene, que ao interagir com o CHL1 promovia o desenvolvimento de novos neurónios e sinapses. Como resultado há reparação da sinalização disfuncional nas regiões do cérebro que controlam, o humor, o que poderá assim explicar a ação destes antidepressivos.
 

Esta explicação difere da teoria convencional e também explica por que motivo os ISRS demoram cerca de três semanas a surtir efeito. Contrariamente à inibição da recaptação da serotonina que demora alguns dias, o desenvolvimento de neurónios e sinapses demora semanas.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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