Antidepressivos durante a gravidez aumentam risco de autismo

Estudo publicado no “JAMA Pediatrics”

17 dezembro 2015
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A toma de antidepressivos, especialmente os inibidores seletivos da recaptação da serotonina, durante os dois últimos trimestres da gravidez está associada ao aumento do risco de perturbações do espectro autista, dá conta um estudo publicado no “JAMA Pediatrics”.
 
Os antidepressivos são amplamente utilizados durante a gravidez para tratar a depressão. As perturbações do espectro autista é uma síndrome do neurodesenvolvimento caracterizada por alterações na comunicação, linguagem, interação social e por padrões particulares de interesses e comportamentos. 
 
Neste estudo os investigadores da Universidade de Montreal, no Canadá, contaram com a participação de 145.456 crianças, 1.054 (0,72%) das quais foram diagnosticadas com autismo. A média de idades com que as crianças foram diagnosticadas com autismo foi de 4,6 anos e a média de idades das crianças no final do período de acompanhamento foi de 6,2. A proporção de rapazes e raparigas diagnosticadas com esta doença foi de quatro para um, respetivamente.
 
O estudo apurou que 4.724 crianças (3,2%) tinham sido expostas a antidepressivos no útero. No primeiro trimestre de gravidez foram expostas 4.200 crianças (88.9 %) a este tipo de fármacos e ao longo do segundo e terceiro trimestres foram expostas um total de 2.532 (53.6%) crianças. Verificou-se que 31 (1.2 %) das crianças deste último grupo foram diagnosticadas com perturbações do espectro autista. No grupo exposto a antidepressivos durante o primeiro trimestre de gravidez foram diagnosticadas 40 (1%) crianças com a doença.  
 
Os investigadores constataram que a toma de antidepressivos ao longo dos dois últimos trimestres da gravidez estava associada a um risco 87% maior de perturbações do espectro autista. Não foi observada qualquer associação entre a toma de antidepressivos no primeiro trimestre de gravidez ou no ano anterior à gravidez e o risco de desenvolvimento de perturbações do espectro autista.
 
Estes resultados indicam que o risco de perturbações do espectro autista fica aumentado com a toma de inibidores seletivos da recaptação da serotonina e com a utilização de mais de uma classe de antidepressivos ao longo dos dois últimos trimestres da gravidez. As crianças cujas mães tinham antecedentes de depressão, a toma de antidepressivos no segundo e terceiro trimestres foi associada a um maior risco de perturbações do espectro autista.
 
“É biologicamente plausível que os antidepressivos causem autismo, se forem utilizados no momento do desenvolvimento do cérebro no útero, uma vez que a serotonina está envolvida em vários processos de desenvolvimento pré- e pós-natal, incluindo na divisão celular, na migração dos neurónios, na diferenciação celular e na criação de ligações entre as células cerebrais", explicou, a líder do estudo, Anick Bérard.
 
“Algumas classes de antidepressivos funcionam através da inibição da serotonina o que irá ter um impacto negativo na capacidade do cérebro se desenvolver plenamente e adaptar-se no útero”, acrescentou a investigadora.
 
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a depressão será a segunda causa de morte em 2020, o que leva os investigadores a acreditar que os antidepressivos vão, muito provavelmente, continuar a ser prescritos, incluindo durante a gravidez. 
 
"O nosso trabalho contribui para uma melhor compreensão dos efeitos a longo prazo dos antidepressivos no desenvolvimento neurológico das crianças quando estes são utilizados durante a gestação. A descoberta das consequências destes fármacos é uma prioridade para a saúde pública, dada a sua utilização generalizada", concluiu, Anick Bérard.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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