Antidepressivos: consumo duplicou nos idosos

Alerta de um especialista do Hospital Júlio de Matos

22 fevereiro 2013
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O consumo de antidepressivos e ansiolíticos em pessoas maiores de 65 anos está a aumentar exponencialmente, alertou o psiquiatra Pedro Afonso.
 

O especialista no Hospital Júlio de Matos, do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa, falou à agência Lusa a propósito de dados que vão ser divulgados hoje no encontro “Avanços e controvérsias em Psiquiatria”.
 

Os dados, fornecidos pela consultora IMS Health indicam que em 2012 foram prescritos 7.75 milhões de ansiolíticos e 6.1milhões de antidepressivos. Relativamente a 2011, registou-se um aumento da venda de antidepressivos e estabilizadores de humor na ordem dos 7,7 % e de 1,2% na venda de ansiolíticos.
 

O aumento foi exponencial na prescrição destes fármacos a maiores de 65 anos que subiu de 1.7 milhões em 2011 para 3.6 milhões em 2012, no caso dos ansiolíticos, e de 1.4milhões em 2011 para 2.3 milhões em 2012, nos antidepressivos e estabilizadores de humor.
 

Para Pedro Afonso, existem vários fatores que têm levado ao aumento do consumo destes fármacos, a começar pela redução dos rendimentos através da diminuição das reformas.
 

“São pessoas que, em muitos casos, já estão fragilizadas pela doença e que veem frustradas as suas expectativas em relação ao futuro”, revelou à agência Lusa o especialista.
 

Estas pessoas deparam-se com a dificuldade acrescida de terem de ajudar os filhos e sofrem também com a sua condição de desempregados e sem maneira de honrar os compromissos.
 

“Muitas vezes estes idosos têm de acolher os filhos em casa e até de sustentá-los, apesar de receberem menos dinheiro”, adiantou.
 

Pedro Afonso garante que estes casos são aos milhares em todo o país e refletem a pressão enorme a que estes idosos estão sujeitos, a que acresce, em muitos casos, a solidão em que vivem.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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