Antidepressivo reboxetina não é melhor que um placebo

Artigo publicado no “British Medical Journal”

15 outubro 2010
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O antidepressivo reboxetina não funciona melhor do que um placebo, apontam cientistas num artigo publicado no “British Medical Journal” (BMJ), acusando o laboratório farmacêutico responsável pela sua comercialização, a Pfizer, de não divulgar os resultados de estudos que mostram as deficiências do fármaco.

 

O estudo foi realizado por uma equipa alemã do Instituto Alemão para a Qualidade e Eficiência nos Cuidados de Saúde (IQWIG) que avaliou os benefícios e os riscos do reboxetina, com base num grupo de controlo que recebeu o placebo e na comparação com outros antidepressivos como o SSRI (inibidor selectivo da recaptação de serotonina).

 

Os cientistas também analisaram as conclusões obtidas em 13 testes clínicos sobre o medicamento, oito deles realizados previamente pela Pfizer, cujos resultados nunca tinham sido divulgados.

 

Em geral, a qualidade desses testes foi aceitável, mas os investigadores observaram que os resultados das análises realizadas junto de 74% dos pacientes tinham sido omitidas pelo laboratório farmacêutico. Após compararem os testes, os cientistas verificaram que a informação publicada sobrevalorizava os benefícios e subestimava os efeitos secundários.

 

Num editorial que acompanha o artigo, escrito pelas responsáveis da revista BMJ, Fiona Godlee e Elizabeth Loder, foi reforçado o facto de ser extremamente importante para os médicos que prescrevem a medicação terem confiança nas provas científicas. As especialistas apelam, por isso, para a adopção de medidas urgentes por forma a restabelecer essa confiança.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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