Anticorpos em proteínas do cérebro podem provocar psicose

Estudo publicado no “Biological Psychiatry”

11 março 2015
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Uma equipa de investigadores detetou anticorpos no recetor dopamina D2 e no recetor N-metil-D-Aspartato (NMDA) glutamato num subgrupo de crianças que tiveram o seu primeiro episódio de psicose, os quais não foram detetados em crianças saudáveis.
 
Ambos os recetores são proteínas-chave de sinalização neural que já foram anteriormente implicadas na psicose.
 
Os anticorpos defendem o organismo contra invasores virais, bacterianos e de outros tipos. No entanto, por vezes, o organismo produz anticorpos que atacam células saudáveis. Nestes casos dá-se o desenvolvimento de doenças autoimunes.
 
Há mais de 100 anos que se sabe da existência de anomalias imunes em pacientes com psicose. Todavia, só recentemente os cientistas identificaram mecanismos imunitários específicos que parecem produzir diretamente sintomas de psicose, incluindo delírios e alucinações.
 
Fabienne Brilot, Diretora do Grupo de Neuroimunologia do Hospital Pediátrico de Westmead, em Sidney, Austrália, e autora principal do estudo, explica que “os anticorpos que detetámos em crianças que estavam a ter o seu primeiro episódio de psicose aguda sugerem que existe um subgrupo distinto no qual a autoimunidade desempenha um papel na sua doença”.
 
Frequentemente, os psiquiatras prescrevem fármacos que estimulam os recetores dopamina D2 ou bloqueiam os recetores NMDA. Aqueles fármacos estão associados a efeitos secundários semelhantes aos sintomas de psicose, como pensamentos desordenados, alterações na perceção e delírio. 
 
Esta descoberta sugere que se pode desenvolver anticorpos que afetam o cérebro de forma semelhante àqueles fármacos que produzem efeitos semelhantes a psicose.
 
A propósito deste estudo, John Krystal, editor do “Biological Psychiatry” questiona se o mesmo dá força “aos crescentes debates sobre a importância da ação dos anticorpos sobre as proteínas neurais e levanta muitas questões importantes na área. Estes anticorpos simplesmente funcionam como fármacos no cérebro ou “atacam” e danificam os neurónios de alguma forma”? O especialista questiona ainda se “esses anticorpos produzem sintomas em toda a gente ou funcionam como um indicativo de vulnerabilidade subjacente, talvez genética, para a psicose”?
 
Segundo a autora principal do estudo, estes dados poderão conduzir ao desenvolvimento de melhores intervenções e talvez se possa evitar danos graves nas crianças que venham a sofrer de psicose aguda com anticorpos. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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