Anticorpo combate sete tipos de cancro

Estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”

30 março 2012
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Um único anticorpo pode conduzir à diminuição ou mesmo desaparecimento de tumores presentes em sete tipos diferentes de cancro, dá conta um estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”.

 

Os investigadores da Stanford University School of Medicine, nos EUA, descobriram que o anticorpo em questão bloqueia uma proteína, a CD47, que está presente nas células cancerígenas e que as protege da ação dos macrófagos e de outras células imunes.

 

Estudos anteriores realizados pela mesma equipa de investigação já tinham revelado que alguns tipos de cancro, leucemia e linfoma, tinham encontrado uma forma de escapar à ação dos macrófagos através da expressão da CD47 na superfície das células cancerígenas. Em 2010, os investigadores descobriram que o bloqueio da CD47 conseguia curar alguns tipos de linfoma não Hodgkin em ratinhos. Mas ainda não estava claro, até à data, qual a importância e a magnitude que este fenómeno poderia ter nos tumores sólidos humanos.

 

Neste estudo os investigadores colheram amostras de vários tumores humanos, os quais incluíram ovários, mama, cólon, bexiga, cérebro, fígado e próstata, tendo verificado que todas as células cancerígenas analisadas expressavam a CD47 em níveis mais elevados que as células saudáveis. Adicionalmente foi também constatado que os indivíduos cujas células cancerígenas expressam níveis mais elevados desta proteína tendem a viver menos tempo do que aqueles que apresentam níveis mais baixos de CD47. Este facto sugere que os níveis de expressão desta proteína podem ser, para alguns tipos de tumor, uma ferramenta de prognóstico valiosa.

 

Posteriormente os investigadores implantaram as diferentes células tumorais humanas em ratinhos e, após duas semanas, trataram os animais com um anticorpo anti-CD47. Os autores do estudo observaram que a maioria dos tumores começou a diminuir ou mesmo, em alguns casos, a desparecer nas primeiras semanas após o início do tratamento. Num dos casos, o tratamento com o anticorpo curou cinco ratinhos que albergavam as células cancerígenas da mama humanas. Quando o tumor despereceu o tratamento foi descontinuado e após quatro semanas não havia sinais de recorrência do tumor.

 

Os investigadores liderados por Robert Weinberg também verificaram que nos casos de tumores altamente agressivos, o anticorpo foi também capaz de bloquear as metástases.

 

“Estes resultados mostram que esta proteína é um legítimo e promissor alvo terapêutico para o tratamento do cancro”, revelou em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Irving Weissman. “Estes resultados são muito entusiasmantes e vão despoletar, certamente, uma onda de investigação desenhada para converter esta estratégia em terapias úteis, conclui Robert Weinberg.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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