Anticoagulantes podem ajudar na prevenção de acidente vascular cerebral

Declarações de um especialista

02 março 2015
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Os indivíduos com arritmia cardíaca, denominada fibrilhação auricular, apresentam um risco cinco vezes maior de sofrerem um Acidente Vascular Cerebral (AVC) fatal ou com sequelas graves. Contudo, segundo um especialista na área, existe uma medicação que pode prevenir a maioria destes acidentes.
 

O professor da Faculdade e Medicina de Lisboa e coordenador da unidade cardiovascular do hospital dos Lusíadas, Victor Gil, disse à agência Lusa que estes novos medicamentos “abrem uma nova esperança” no tratamento dos doentes com fibrilhação auricular, uma doença que está na origem de 20% do total de AVC, uma das principais causas de morte em Portugal.
 

Victor Gil explicou à agência Lusa que todos os “doentes hipertensos têm que manter a sua pressão arterial controlada ao longo da vida”, mas alertou que há “2,5% da população portuguesa” com fibrilhação auricular e que essa arritmia afeta “mais de 10% da população com mais de 80 anos”.
 

“Muitos dos AVC estão associados a antecedentes de tensão arterial, mas há também um grupo muito importante de AVC associado ao aparecimento de uma arritmia, que é a fibrilhação auricular. Cerca de 20% ou mais dos AVC são causados por essa arritmia e são geralmente evitáveis pelo uso adequado de medicamentos que dificultam a coagulação do sangue”, disse.
 

Estas pessoas “têm um risco de AVC cinco vezes superior ao da população normal”, mas “a maior parte deles são possíveis de evitar” com a administração dos “chamados anticoagulantes”.
 

“Essa terapêutica anticoagulante, até há uns anos atrás, era extremamente difícil de fazer, porque os medicamentos que existiam eram influenciados por muitos outros medicamentos, até por alimentos, e o controlo era inadequado na maior parte dos doentes”, referiu o especialista.
 

Victor Gil referiu, no entanto, que já “surgiram medicamentos mais modernos”, mais fáceis de utilizar e que permitem no universo desses doentes “evitar 70% dos AVC”, que são “uma das principais causas de morte em Portugal”.
 

“Nesses doentes com fibrilhação auricular, as consequências do AVC ainda são piores, porque geralmente os AVC nestes doentes têm origem num coágulo de sangue que se forma dentro do coração, coágulo que é grande e que vai ocluir uma extensa zona do cérebro. Têm o dobro da mortalidade e um grau de incapacidade também muito maior que os outros”, acrescentou.
 

O especialista referiu ainda que “o AVC é uma das principais causas de morte em Portugal, com cerca de 200 mortes por 100 mil habitantes por ano e cerca de 25 mil doentes internados por ano” devido às suas consequências graves, que provocam “incapacidade de alto grau em mais de 50% dos casos”.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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