Anticoagulante reduz risco de morte após cirurgia não-cardíaca

Estudo apresentado nas Sessões Científicas da Escola Americana de Cardiologia

15 março 2018
  |  Partilhar:
Uma equipa de investigadores descobriu que um fármaco anticoagulante reduz significativamente o risco de morte, ataque cardíaco, acidente vascular cerebral (AVC) e outras complicações cardíacas ou vasculares em pacientes que tenham sofrido lesão cardíaca após cirurgia não-cardíaca major.
 
O fármaco dabigatran demonstrou eficácia num ensaio clínico controlado liderado por P.J. Devereaux da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade McMaster, no Canadá. 
 
O ensaio clínico tinha como objetivo avaliar a eficácia do tratamento de uma complicação conhecida como lesão no miocárdio após cirurgia não-cardíaca (“myocardial injury after non-cardiac surgery” ou MINS) que se refere a lesões ocorridas no tecido cardíaco como resposta ao stress provocado no organismo pela cirurgia.
 
As lesões no miocárdio após cirurgia não-cardíaca podem afetar pacientes que tenham sido submetidos a uma intervenção cirúrgica major como prótese da anca ou joelho ou ressecção intestinal e podem provocar complicações graves como ataque cardíaco, AVC, amputações e mesmo morte.
 
Para o estudo, a equipa de investigadores recrutou 1.754 pacientes de 19 países, dos quais 51% eram homens e perfaziam uma mediana de idades de 70 anos. Os pacientes foram divididos em dois grupos, sendo que um grupo recebeu dabigatran duas vezes por dia, e o outro um placebo, durante cerca de 16 meses.
 
Após o período de monitorização de16 meses, verificou-se que 11% dos pacientes tratados com dabigatran experienciaram um evento relacionado com lesão no miocárdio após cirurgia não-cardíaca, em comparação com 15% no grupo do placebo. Isto traduz-se numa redução de 28% no risco de lesão no miocárdio após cirurgia não-cardíaca com a toma de dabigatran.
 
Relativamente a um maior risco de hemorragia devido ao uso de um anticoagulante, não se verificaram diferenças significativas em termos de hemorragia que pusesse a vida em risco. 
 
“Temos agora uma opção para melhorar os resultados para uma grande população de pessoas que têm uma lesão cardíaca após cirurgia em cada ano”, comentou P. J. Devereaux.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar