Antibióticos podem facilitar infeções intestinais: como?

Estudo publicado na “Nature”

04 setembro 2013
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Investigadores americanos descobriram como a toma de antibióticos facilita a colonização dos intestinos por microrganismos patogénicos, revela um estudo publicado na revista “Nature”.
 

Após a administração de antibióticos existem vários patogénios intestinais que podem causar problemas. “Os antibióticos abrem a porta para estes patogénios se instalarem. Contudo, ainda não se sabe ao certo como este processo ocorre”, explicou um dos autores do estudo, Justin Sonnenburg.
 

O estudo levado a cabo pelos investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Stanford, nos EUA, dá conta que nas primeiras 24 horas após a toma de antibióticos, há um grande aumento de hidratos de carbono nos intestinos. Associado a este excedente de nutrientes, a redução da flora intestinal provocada pelos antibióticos permite a colonização, num ambiente outrora de difícil acesso, de dois patogénios potencialmente mortais.
 

Na última década a comunidade científica tem feito grandes avanços no sentido de desvendar a constituição do ecossistema microbiano que está presente em todos os mamíferos saudáveis, incluindo nos humanos. Os milhares de estirpes bacterianas que habitam normalmente este ambiente desafiador, mas por outro lado rico em nutrientes, adaptaram-se tão bem que seria difícil viver sem elas. Estas bactérias inofensivas e amigáveis produzem vitaminas que são essenciais para o nosso sistema imunológico e também estão envolvidas no desenvolvimento dos tecidos.
 

A toma de antibióticos dizima esta comunidade bacteriana, que apesar de começar a crescer poucos dias após a toma dos antibióticos, demora cerca de um mês ou mais a atingir valores normais. Adicionalmente, o ecossistema parece sofrer uma perda permanente de algumas destas estirpes bacterianas, explicaram os autores do estudo.
 

São várias as teorias que têm surgido nos últimos anos para justificar a forma como a flora intestinal consegue impedir a colonização de patogénios. “Apesar de as hipóteses não serem mutuamente exclusivas, o nosso estudo sugere que os microrganismos residentes impedem a colonização dos patogénios através da competição de nutrientes”, revelou, Justin Sonnenburg.
 

O estudo refere que, quando estas defesas ficam enfraquecidas, como ocorre habitualmente após a toma de antibióticos, patogénios como a Samonella e o Clostridium difficile conseguem se estabelecer. Quando estes patogénios atingem um número suficiente conseguem induzir a inflamação. A Samonella e o Clostridium difficile aprenderam a prosperar neste ambiente hostil para as bactérias amigáveis.
 

“Acreditamos que a doença provocada pelos patogénios do intestino ocorre em duas etapas. Outros estudos demonstraram que quando atingem um número considerável despoletam a inflamação a qual é prejudicial para a flora intestinal. Contudo, antes desta etapa eles têm de atingir uma massa crítica. O nosso estudo demonstrou como esta massa é atingida após a toma de antibióticos. Na verdade eles retiram vantagem do pico temporário de açúcares que são libertados do muco intestinal pelas bactérias comensais”, explicou o investigador.
 

Os autores do estudo acreditam que no futuro poderão ser desenvolvidos fármacos que quando coadministrados com os antibióticos consigam inibir as enzimas que as bactérias comensais utilizam para libertar os açúcares do muco intestinal, impedindo assim o desenvolvimento dos agentes patogénios.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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