Antibióticos podem aumentar risco de artrite juvenil

Estudo publicado na revista “Pediatrics”

14 agosto 2015
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A toma de antibióticos poderá aumentar o risco de uma criança desenvolver artrite juvenil, sugere um estudo publicado na revista “Pediatrics”.
 
De acordo com as últimas estatísticas do Centro para o Controlo e Prevenção de Doenças, nos EUA, são diagnosticadas anualmente 4.330 a 9.700 crianças, com menos de 16 anos, com artrite juvenil. Esta é uma doença autoimunitária que envolve a inflamação crónica das articulações e olhos e pode conduzir à dor, perda de visão e incapacidade. Os fatores genéticos apenas explicam cerca de um quarto dos casos, o que significa que os fatores ambientais também desempenham um papel importante no desenvolvimento da doença.
 
Estudos anteriores indicaram que um quarto dos antibióticos prescritos às crianças e metade dos prescritos para infeções respiratórias agudas são desnecessários. Alguns estudos também demonstraram que a toma de antibióticos poderia predispor as crianças a desenvolverem outras doenças crónicas, incluindo a doença inflamatória do intestino. A alteração das comunidades microbianas nos intestinos e noutros locais parecem desempenhar um papel importante na doença inflamatória do intestino e noutras doenças autoimunes, como a artrite reumatoide nos adultos. “Os antibióticos são um dos disruptores mais conhecidos das comunidades microbianas humanas”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Daniel Horton.
 
Os investigadores da Universidade de Rutgers e da Pensilvânia, nos EUA, utilizaram, para o estudo, a The Health Improvement Network (THIN), uma base de dados com informação de mais de 11 milhões de pessoas do Reino Unido, para comparar crianças recentemente diagnosticadas com artrite juvenil com crianças saudáveis da mesma idade e sexo. 
 
Das cerca de 450 mil crianças analisadas, 152 foram diagnosticadas com artrite juvenil. Após terem tido em conta outras doenças autoimunes e infeções prévias, os investigadores verificaram que as crianças a quem tinham sido prescritos antibióticos apresentavam, comparativamente com as outras crianças, um risco duas vezes maior de desenvolver artrite juvenil. Quanto maior o número de antibióticos prescrito, maior era risco associado. Os cientistas descobriram ainda que risco era maior no ano seguinte à toma de antibióticos.
 
O estudo também apurou que as infeções do trato respiratório superior tratadas com antibióticos foram mais fortemente associadas à artrite juvenil do que as infeções do mesmo tipo que não foram tratadas. Não foi verificada qualquer associação entre a toma de antivirais, bem como antifúngicos, e o desenvolvimento de artrite juvenil.
 
Tem sido sugerido que as infeções virais estão envolvidas no desenvolvimento da artrite juvenil, mas muitos estudos têm contrariado esta hipótese. De acordo com Daniel Horton, o que está cada vez mais claro é que as crianças com artrite juvenil têm um maior risco de infeções graves, em parte porque o sistema imunológico não protege o organismo contra infeções como deveria.
 
"Uma explicação alternativa para os nossos resultados é que este sistema imunológico anormal torna as crianças mais suscetíveis a infeções graves ainda antes de serem diagnosticadas com artrite. À luz desta hipótese, os antibióticos podem funcionar como um marcador da imunidade afetada em vez de ser a causa direta da artrite. A maioria das crianças toma antibióticos, mas só cerca de uma em mil desenvolve artrite. Assim, mesmo que os antibióticos contribuam para o desenvolvimento de artrite, estes não são claramente o único fator”, conclui o investigador.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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