Antibióticos não tratam tosse resultante de uma constipação

Estudo apresentado no encontro anual da American College of Chest Physicians

24 outubro 2012
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Os antibióticos não tratam a tosse resultante de uma constipação das crianças, sugere um estudo apresentado no encontro anual da American College of Chest Physicians.
 

De forma a averiguar o modo como os antibióticos são utilizados na prática clínica, os investigadores da universidade de Bolonha, na Itália, analisaram o tipo de tratamento prescrito a 305 crianças que tinham tosse aguda resultante de uma constipação banal.
 

O estudo apurou que 89 das crianças tomou apenas antibióticos, a 38 crianças foi prescrito antibióticos e antitússicos, uns com ação no sistema nervoso central (codeína e cloperastina) e outros no sistema periférico (levodropropizina). Foi verificado que 44 das crianças tomou apenas os antitússicos com ação no sistema nervoso central e 79 antitússicos com ação no sistema periférico. Estes dois grupos não tomaram antibióticos. O grupo de controlo, constituído por 55 crianças, não tomou qualquer medicamento.
 

Os investigadores constataram que a toma de antitússicos ou a sua combinação com antibióticos não conduziu a diferenças significativas no que respeita à percentagem de casos de tosse tratados. Contudo, as crianças que tomaram apenas antibióticos apresentaram uma menor percentagem de resolução deste tipo de situação em comparação com aqueles que tomaram apenas antitússicos.
 

Os autores acreditam que existem poucos fármacos capazes de atuar como supressores da tosse, incluindo os antibióticos. Na verdade estes não são mais eficazes do que outro medicamento qualquer. Foi constatado que os antitússicos que atuam no sistema periférico foram os mais eficazes a tratar os sintomas da tosse.
 

Os investigadores referem que apesar de os antibióticos não tratarem de uma forma eficaz a tosse, eles podem ajudar a tratar as infeções escondidas que muitas vezes conduzem ao aparecimento da tosse.
 

Contudo na opinião do líder do estuo, Francesco de Blasio, os antibióticos não devem ser utilizados em demasia. Quando este tipo de fármacos é utilizado na ausência de qualquer infeção podem ser prejudiciais. As constipações usuais são causadas por vírus, não por bactérias que são o tipo de microrganismos alvo dos antibióticos.
 

Alguns estudos referem que muitas vezes os pais fazem alguma pressão para que os pediatras prescrevam antibióticos. “É difícil para os pais verem os seus filhos a sofrerem de tosses agudas, mas a toma de antibióticos nem sempre é a solução para este problema. Dependendo do tipo de tosse, o médico deverá prescrever o melhor tratamento para a criança, que muitas vezes pode ser não receitar qualquer tratamento”, conclui a presidente da American College of Chest Physicians, Darcy D. Marciniuk.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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