Antibióticos enfraquecem doença de Alzheimer

Estudo publicado na revista “Scientific Reports”

05 agosto 2016
  |  Partilhar:
O tratamento a longo prazo de antibióticos de largo espetro diminui os níveis das placas amiloide, uma característica da doença de Alzheimer, e ativa as células microgliais inflamatórias no cérebro, atesta um estudo publicado na revista “Scientific Reports”.
 
O estudo levado a cabo pelos investigadores da Universidade de Chicago, nos EUA, também demonstrou que o tratamento com antibiótico produziu alterações significativas na flora intestinal, o que sugere que a composição e diversidade das bactérias no intestino desempenham um papel importante na regulação da atividade do sistema imunitário, que afeta a progressão da doença de Alzheimer.
 
Duas das características principais da doença de Alzheimer são o desenvolvimento de amiloidose, a acumulação de péptidos beta-amiloides no cérebro, e a inflamação da microglia, células cerebrais que desempenham funções do sistema imunitário no sistema nervoso central. A acumulação de péptidos beta-amiloides em placas desempenha um papel central no aparecimento da doença de Alzheimer. Por outro lado, acredita-se que a gravidade da neuro-inflamação parece influenciar a taxa do declínio cognitivo decorrente da doença.
 
No estudo, os investigadores administraram doses elevadas de antibióticos de largo espetro a ratinhos, ao longo de cinco a seis semanas. As análises genéticas da flora intestinal indicaram que apesar de a massa total de microrganismos presentes no intestino dos ratinhos tratados ser a mesma daquela encontrada nos animais controlo, a diversidade da comunidade tinham alterado drasticamente. 
 
Os animais tratados com antibiótico também demonstraram uma diminuição duas vezes maior nas placas beta-amiloides, comparativamente com os ratinhos controlo, e um aumento significativo do estado inflamatório das microglia no cérebro. Os níveis de sinalizadores químicos importantes em circulação também se encontravam elevados nos animais tratados.
 
Sangram Sisodiam, um dos autores do estudo, refere que apesar de este trabalho abrir novas possibilidades para a compreensão do papel da flora intestinal na doença de Alzheimer, este é apenas um primeiro passo.  
 
“Descobrimos formas de intervir quando um paciente começa a demonstrar sinais clínicos, mas se aprendermos como as alterações na flora intestinal afetam o início da progressão da doença, ou de que maneira as moléculas que a flora produz interagem com o sistema nervoso, podemos utilizar essa informação para criar uma nova forma de medicina personalizada”, concluiu o investigador. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.